Jardim de Meteoros foi um dos doramas responsáveis por ampliar o interesse do público por produções asiáticas e suas referências culturais.
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Jardim de Meteoros foi um dos doramas responsáveis por ampliar o interesse do público por produções asiáticas e suas referências culturais.

O primeiro episódio costuma ser apenas o começo. Para quem começa a assistir doramas, a experiência raramente fica restrita à série. Referências vistas na tela acabam migrando para a rotina, seja na música, na comida ou na forma de se vestir.

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Um momento inusitado chamou atenção: alguns homens pararam tudo para acompanhar, atentos, o dorama que passava na TV do bar. A cena divertiu a internet e rendeu comentários bem-humorados. “Vou abrir um boteco para dorameiras, só vou servir soju com cerveja”, brincou uma internauta. “E não esquece do karaokê”, completou outra. 🔗 Veja as notícias do Portal iG e acesse o Canal do Whatsapp no Link da Bio 📲 📹 Reprodução: TTK @elainecunhaa | @dommedia.br #PortaliG

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No Brasil, esse comportamento ganhou força nos últimos anos com a popularização das plataformas de streaming, que ampliaram o acesso a produções sul-coreanas e ajudaram a expandir esse consumo para além de públicos especializados.

Quando a série amplia o repertório

Aline Almeida assiste a doramas há cerca de 13 anos e relata que o interesse surgiu muito antes da explosão recente do gênero. “Sempre gostei muito do Japão e tinha vontade de conhecer o país. Essa curiosidade pela cultura acabou me levando às produções asiáticas”, conta.

Pratos da culinária coreana, como kimchi, bibimbap e tteokbokki, aparecem com frequência nos doramas e despertam a curiosidade do público.
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Pratos da culinária coreana, como kimchi, bibimbap e tteokbokki, aparecem com frequência nos doramas e despertam a curiosidade do público.










Com o tempo, o consumo se expandiu. O contato com os doramas também influenciou outros hábitos. Aline relata que passou a ouvir k-pop e a experimentar pratos da culinária coreana vistos nas séries. “Essas comidas aparecem com muita frequência nos k-dramas, então é praticamente impossível não ficar com vontade de experimentar”, diz. Entre eles, estão o churrasco coreano, o kimchi, o bibimbap e o tteokbokki.

O impacto também chegou à literatura. “Passei a incluir autores asiáticos no meu TBR (To Be Read, ou “a ser lido”), não só sul-coreanos”, explica. Entre as leituras recentes, ela destaca Kim Jiyoung, Nascida em 1982 e Impostora: Yellowface como exemplos de obras que ajudaram a ampliar seu olhar sobre outras culturas.

Kim Jiyoung, Nascida em 1982, livro da escritora sul-coreana Cho Nam-joo, citado por entrevistada ao falar sobre o impacto dos doramas no consumo cultural.
Aline Almeida
Kim Jiyoung, Nascida em 1982, livro da escritora sul-coreana Cho Nam-joo, citado por entrevistada ao falar sobre o impacto dos doramas no consumo cultural.


Emoção, estética e identificação cotidiana

A experiência de Keila Bueno mostra como esse contato pode acontecer de forma gradual. Após abandonar um primeiro dorama, foi com Jardim de Meteoros, série da Netflix, que o envolvimento se consolidou. “Ver como o amor vai se desenvolvendo no meio de todo aquele drama deixa a gente muito ansiosa para saber o que vai acontecer”, relata.

Depois disso, novos interesses surgiram. “Passei a me interessar principalmente pelas comidas, pelo k-pop e pelo skincare deles”, afirma. A influência se refletiu até na estética pessoal. “Já cheguei a usar maquiagem e estilo coreano para ir a uma feira temática e simplesmente amei”, conta. Segundo Keila, escolhas por acessórios mais delicados e referências visuais vistas nas séries passaram a fazer parte da sua rotina.

Para ela, o diferencial dos doramas está na forma como as histórias são conduzidas. “Eles não apressam as coisas. O romance é construído aos poucos, com várias cenas fofas, o que acaba sendo bem diferente de outras séries”, observa.

Estratégia cultural e mercado global

Para o especialista em marketing e CEO da agência CoHub, Luis Cho, a expansão dos k-dramas no cenário internacional está diretamente ligada a um movimento maior. “O crescimento veio como um complemento ao boom do k-pop. Quando a música ganhou o mundo, a atenção pela cultura coreana como um todo aumentou”, analisa.

Segundo ele, a possibilidade de consumir os doramas legendados ou dublados reduz a barreira do idioma e facilita a conexão com públicos estrangeiros. “Essa diferença cultural, que poderia ser um obstáculo, acaba sendo justamente o que desperta mais interesse”, explica.

Infográfico resume como os doramas funcionam como porta de entrada para o consumo de outros produtos culturais asiáticos.
Produzido por IA
Infográfico resume como os doramas funcionam como porta de entrada para o consumo de outros produtos culturais asiáticos.


Cho destaca ainda que esse processo é resultado de um investimento de longo prazo. “A Coreia do Sul vem investindo pesado na indústria de música, cinema e entretenimento há muitos anos, dentro do movimento chamado Hallyu, a onda coreana”, afirma. Para ele, as plataformas de streaming também têm papel central ao investir em marketing e ampliar o alcance dessas produções.

Para quem começa a assistir, o último episódio raramente é o fim da experiência, muitas vezes, é apenas o começo de um novo repertório cultural.

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