
Uma parceria inesperada promete mudar o jeito como navios cruzam os oceanos. A empresa americana AMPERA se uniu à Scorpio Tankers para desenvolver uma nova forma de energia: pequenos reatores nucleares feitos para funcionar no mar. As informações são do Interesting Engeneering.
O acordo inclui um investimento de US$ 10 milhões (R$ 50 milhões) para acelerar a criação desses sistemas. A ideia é simples, mas ao mesmo tempo bastante inovadora: usar energia nuclear para mover navios e abastecer plataformas no oceano, sem emitir poluentes.
Segundo as empresas, a tecnologia será “ultra segura” e não produzirá carbono, o principal gás responsável pelo aquecimento global. O objetivo é atender às novas regras ambientais, cada vez mais rígidas no transporte marítimo.

Como funciona essa nova tecnologia de navios nucleares
Os reatores que estão sendo desenvolvidos são bem diferentes das usinas nucleares tradicionais. Eles são pequenos, compactos e cabem dentro de estruturas semelhantes a contêineres.
Esses sistemas usam tório, um material considerado mais seguro que o urânio, e um tipo especial de combustível chamado TRISO. Isso permite que o reator funcione por décadas sem precisar ser reabastecido.
Além disso, o sistema não precisa de água para operar, algo incomum nesse tipo de tecnologia. Em vez disso, ele usa dióxido de carbono em estado especial para gerar energia e movimentar turbinas.

O resultado é uma fonte de energia contínua, estável e com baixo custo, ideal para ambientes isolados como o mar.
Navios movidos a energia nuclear
A parceria prevê dois caminhos principais. No curto prazo, a criação de “balsas de energia” flutuantes, estruturas no mar capazes de gerar eletricidade para plataformas e portos.
Já no futuro, o plano é ainda mais ousado: desenvolver navios totalmente movidos por energia nuclear.
Isso pode trazer várias vantagens. Entre elas, a redução do peso das embarcações, menos paradas para abastecimento e custos operacionais menores.

Além disso, eliminaria a necessidade de combustíveis fósseis, responsáveis por grande parte da poluição no setor marítimo.
Pressão por mudanças
O transporte marítimo enfrenta uma pressão crescente para reduzir emissões e se tornar mais sustentável. Hoje, navios são responsáveis por uma parcela significativa da poluição global.
Com isso, soluções como essa começam a ganhar espaço.
Para Emanuele Lauro, o investimento mostra confiança no potencial da energia nuclear para transformar o setor. Já Brian Matthews afirma que a tecnologia pode aumentar a capacidade energética sem gerar poluentes.
O que vem pela frente
A iniciativa também inclui novos modelos de negócio, como aluguel de energia e serviços de longo prazo. A ideia é facilitar a adoção da tecnologia por empresas do setor.
Enquanto isso, a AMPERA se prepara para solicitar autorização junto à Nuclear Regulatory Commission, que recentemente atualizou suas regras para permitir novos tipos de reatores.
Se tudo avançar como esperado, o mundo pode estar diante de uma revolução silenciosa, com navios movidos a energia nuclear cruzando os oceanos sem deixar rastro de poluição.