
A atriz criada por inteligência artificial, Tilly Norwood, vai estrear como protagonista em seu primeiro filme. A informação é da revista Variety.
Chamado "Misaligned", o longa foi anunciado pelo estúdio Particle 6 e será uma comédia dramática situada no chamado "Tillyverse", um universo fictício criado para a personagem.
Segundo a empresa, a produção terá profissionais do cinema e da televisão, trabalhando lado a lado de especialistas em inteligência artificial.
A história acompanha Tilly, uma personagem criada por inteligência artificial que não tem corpo físico nem suas próprias lembranças. Em vez disso, ela acessa as experiências vividas pelas outras pessoas.

O rumo da história muda quando um robô da "dark web" a convence a deixar de seguir as limitações de sua programação e criar desejos, vontades e ambições próprias, passando a agir de forma mais humana.
Este será seu primeiro longa-metragem voltado para a inteligência artificial, segundo a Particle 6. A empresa diz ainda que o projeto servirá para ensinar profissionais sobre como usar essa tecnologia durante a produção de um filme.
Personagem não substitui atores
Em comunicado, a atriz, empresária e fundadora da Particle 6, Eline van der Velden, respondeu críticas dizendo que Tilly Norwood não foi criada para substituir artistas e comparou a inteligência artificial a outras tecnologias usadas no cinema e na televisão.
Vejo a IA não como um substituto das pessoas, mas como uma nova ferramenta — um novo pincel. Assim como a animação, os bonecos ou os efeitos especiais feitos por computador abriram novas possibilidades sem substituir a atuação ao vivo, a IA oferece mais uma forma de imaginar e construir histórias. Eline van der Velden, fundadora da Particle 6
Segundo Van der Velden, criar Tilly foi um exercício de criatividade que "representa experimentação, não substituição".
A fundadora da empresa também defendeu que personagens criados por inteligência artificial sejam reconhecidos como uma categoria artística própria, "ao lado do teatro, do cinema, da pintura, da música e de tantas outras".
IA ainda não convence mercado de cinema
O sindicato dos atores SAG-AFTRA divulgou uma carta aberta defendendo regras para o uso da inteligência artificial.
No documento, a organização pede apoio das pessoas a um projeto de lei chamado NO FAKES Act, que quer garantir às pessoas o direito de controlar o uso de sua voz e de sua imagem.

A carta afirma que um dos principais pontos da proposta é criar um processo mais rápido para retirar do ar conteúdos que foram publicados sem autorização, que reproduzam a voz ou a imagem de alguma pessoa real.
Ao final da carta, o sindicato afirma que a aprovação da proposta permitiria que qualquer pessoa dissesse: "Não é o meu rosto. Não é a minha voz. Não sem o meu consentimento."