
Estudantes de Goiás desenvolveram um protótipo que usa óculos com inteligência artificial para registrar as condições de imóveis alugados e auxiliar na elaboração de laudos de vistoria. Chamado de 'Já Estava', o sistema associa imagens captadas pela câmera às observações faladas pelo vistoriador e compara as informações com o documento produzido na entrada do inquilino.
Miguel e João Vitor cursam Ciência da Computação na UFG. O terceiro integrante, João Victor Borges, é estudante de Análise e Desenvolvimento de Sistemas da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás).
O projeto venceu o AI Glasses Brasil, realizado pelo Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás ( CEIA-UFG) e pela Meta. O resultado foi anunciado em 18 de setembro, após uma maratona de desenvolvimento na sede da empresa, em São Paulo. Cinco equipes chegaram à final, entre 95 inscritas no programa.
Com os óculos, o profissional pode percorrer o imóvel com as mãos livres enquanto descreve as condições de paredes, portas, aparelhos e outros itens.
Segundo os desenvolvedores, o procedimento começa pelo celular, que depois pode ser guardado. Durante a inspeção, o vistoriador informa em qual cômodo está e narra suas observações. O sistema relaciona a descrição às imagens captadas naquele momento.
“O vistoriador indica em qual cômodo está e começa a descrever os itens. Depois de cerca de três segundos, a foto é registrada junto com o que ele falou. Quando termina, ele avisa que finalizou a vistoria e o laudo fica pronto com as fotos, os resumos e os comentários”, explica João Vitor Alves, integrante da equipe.
Na etapa de processamento, a inteligência artificial cruza a transcrição com o laudo de entrada e classifica os itens como conferidos, divergentes ou pendentes. O protótipo também organiza fotos, resumos e comentários e mantém um registro em vídeo da vistoria.
Ampliar ferramenta
O grupo busca agora incubadoras de startups e pretende adaptar a tecnologia a outras atividades, como vistorias de veículos e frotas, análises para seguradoras e inspeções de máquinas e equipamentos. Essas aplicações fazem parte dos planos de desenvolvimento do projeto.
Além da proposta para o mercado imobiliário, a competição premiou protótipos voltados ao cuidado de idosos e à formação técnica. O segundo lugar ficou com o CuidarIA, da equipe Son’s of Turing, concebido para auxiliar cuidadores na conferência de medicamentos em instituições de longa permanência para idosos.
A proposta combina reconhecimento facial do residente, registro da fala do cuidador e leitura do texto da embalagem do medicamento. As informações são comparadas com a prescrição, com processamento local no celular. Segundo a descrição apresentada no programa, o sistema foi projetado para bloquear a continuidade do procedimento na aplicação quando identifica uma divergência.
O terceiro colocado, StepWise, foi desenvolvido para orientar estudantes de cursos técnicos, especialmente de mecânica e mecatrônica, em atividades práticas de montagem. A câmera permite verificar uma etapa sem que o aprendiz precise interromper o trabalho. A análise das imagens ocorre localmente, com regras predefinidas para avaliar a execução.