
Por muito tempo, a tecnologia foi associada principalmente aos mais jovens. Quando o assunto é inteligência artificial, então, a impressão pode ser ainda mais forte. Mas os hábitos dos brasileiros acima de 40 anos mostram um cenário diferente.
Um levantamento da MindMiners aponta que 49% dos brasileiros 40+ já utilizam ferramentas de inteligência artificial, como ChatGPT, Gemini e Copilot. O estudo "40+: Poder, consumo e novos significados" também mostra que 80% desse público se sente confortável usando tecnologia no dia a dia.
O grupo representa 45% dos brasileiros, segundo a pesquisa. E a presença digital não se resume à inteligência artificial.
As redes sociais aparecem na frente, usadas por 76% dos entrevistados. As compras online vêm em seguida, com 67%, enquanto os serviços de streaming chegam a 50%. A IA aparece logo depois, com 49%, seguida por jogos digitais (41%) e aplicativos de saúde (31%).
Apenas 6% afirmam não utilizar nenhuma das ferramentas digitais analisadas.
40+ também quer aprender sobre tecnologia
O levantamento também comparou as percepções dos brasileiros acima de 40 anos com as de pessoas entre 18 e 39 anos. E os resultados mostram que o interesse em aprender sobre tecnologia não diminui necessariamente com a idade.
Entre os 40+, 77% afirmam que ainda podem aprender sobre tecnologias atuais, incluindo ferramentas de IA. O índice é de 67% entre os mais jovens e de 71% na amostra total.
A busca por atualização também aparece com força. Segundo a pesquisa, 62% dos entrevistados acima de 40 anos dizem procurar se manter atualizados sobre tecnologia, contra 54% entre os jovens.
Ao mesmo tempo, 79% dos maduros consideram que a tecnologia avança muito rápido. Entre os jovens, o percentual é de 72%.
Para Rosana Camilotti, Diretora de Excelência do Cliente e Expansão da MindMiners, a diferença está relacionada à forma como cada geração se relaciona com a tecnologia.
"Os jovens cresceram cercados de tecnologia e muitas vezes já dão esse conhecimento como garantido. Já o 40+ sente que precisa continuar se atualizando para não ficar para trás, e isso o torna mais aberto a aprender. É uma postura mais consciente, não uma corrida imposta", afirma.
IA entra na rotina quando resolve problemas
Quando o recorte passa especificamente para a inteligência artificial, a diferença entre as gerações também diminui.
Entre os brasileiros 40+, 57% afirmam enxergar aplicações práticas da IA no cotidiano. Outros 53% dizem saber utilizar essas ferramentas da melhor maneira possível.
Os números apontam para uma relação que vai além da curiosidade sobre a tecnologia. Para esse público, a utilidade parece ter um peso importante na decisão de incorporar uma ferramenta à rotina.
É uma lógica que ajuda a explicar por que idade, sozinha, não parece determinar a adoção.
"A ideia de que o 40+ resiste à tecnologia não se sustenta mais. O que existe é uma seleção mais criteriosa: esse público adota o que resolve um problema real e abandona rápido o que complica. Não é uma questão de idade, é uma questão de usabilidade", explica Rosana Camilotti.
Problema pode estar na experiência
Os dados também trazem um recado para quem desenvolve aplicativos, plataformas e serviços baseados em tecnologia.
Se quase metade dos brasileiros acima de 40 anos já utiliza inteligência artificial, o desafio deixa de ser simplesmente convencer esse consumidor a entrar no ambiente digital. A questão passa a ser oferecer uma experiência que faça sentido para ele.
Isso envolve interfaces intuitivas, recursos fáceis de encontrar e ferramentas que entreguem uma utilidade clara. Também significa deixar de presumir que uma pessoa acima de 40 anos precisa de uma experiência simplificada porque não domina tecnologia.
O levantamento aponta justamente para o contrário: esse público já está conectado, compra pela internet, acompanha redes sociais, usa streaming e experimenta inteligência artificial.
A diferença pode estar menos na capacidade de aprender e mais na disposição para continuar usando aquilo que realmente facilita a vida.
Para o mercado de tecnologia, o recado é direto: o público 40+ não está chegando ao digital agora. Ele já está lá — e começa a escolher com mais cuidado o que merece espaço na rotina.