
O uso de drones na fiscalização ferroviária contribuiu para evitar cerca de 12 horas de atrasos na circulação de trens das linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda em sete meses. A ViaMobilidade, concessionária responsável pelos ramais, começou a utilizar os equipamentos em fevereiro de 2026 para identificar acessos indevidos à via férrea e agilizar o atendimento a ocorrências.
No período, os drones permitiram fiscalizar mais de 6 mil quilômetros de ferrovias. A operação registrou uma média de 25 ocorrências por mês, com destaque para a presença irregular de pessoas nos trilhos. Ao todo, foram realizadas 155 abordagens.
Segundo a concessionária, antes da adoção da tecnologia, a identificação dessas situações dependia de câmeras fixas ou do deslocamento de equipes das estações até o local. Esse processo levava pelo menos dez minutos. Com os drones, o tempo caiu para até cinco minutos após a decolagem e pode ser praticamente imediato quando o equipamento já está em voo.
Equipamentos agilizam fiscalização nos trilhos
Os drones permitem acompanhar ocorrências em tempo real e, em determinadas situações, realizar abordagens por comando de voz, sem a necessidade de enviar imediatamente uma equipe ao local.
“Os drones trouxeram um ganho direto de autonomia e velocidade para a operação. Conseguimos visualizar a ocorrência em tempo real, avaliar o risco com mais precisão e, em muitos casos, fazer a abordagem por comando de voz no próprio equipamento, sem depender do deslocamento inicial de uma equipe até o local”, afirma Everton Trindade, diretor das linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda.
De acordo com o executivo, a redução no tempo de resposta ajuda a prevenir situações que poderiam comprometer a segurança dos passageiros e a regularidade da circulação ferroviária.
O investimento começou em fevereiro, com a compra de dois drones. No segundo semestre, a concessionária adquiriu mais dois equipamentos, totalizando mais de R$ 300 mil aplicados na iniciativa.
A expansão também envolveu a formação da primeira turma de operadores de drones da empresa. Seis profissionais passaram por um curso próprio, com metodologia de voo voltada às necessidades da operação ferroviária.
Entre eles está Kaio Gouveia, que trabalhava como agente de atendimento e segurança havia pouco mais de um ano. Após participar da capacitação, ele migrou para a área de tecnologia da ViaMobilidade e passou a atuar exclusivamente na operação dos equipamentos.
“Durante esses sete meses, o trabalho foi de muito aprendizado, tive a oportunidade de aplicar melhor a operação com drone nas vias férreas e entender como o equipamento pode ser utilizado de diferentes formas no dia a dia. Sem falar no salto de carreira, passando a trabalhar em uma área estratégica, graças à oportunidade que a ViaMobilidade me deu”, relata Gouveia.
Câmeras térmicas permitem voos noturnos
O modelo utilizado pela concessionária é o DJI Matrice 4 Thermal Enterprise, equipado com sensor térmico e recursos de visão noturna. A tecnologia permite realizar inspeções em diferentes condições de luminosidade, inclusive durante a noite.
Cada equipamento pode voar a até 110 metros de altura, com autonomia de 45 minutos por bateria. Com a troca de baterias, o conjunto disponível para cada drone permite alcançar até três horas de operação. O raio de atuação chega a cinco quilômetros a partir do ponto de decolagem.
Com quatro equipamentos disponíveis, a estratégia prevê dois drones dedicados integralmente à Linha 8-Diamante. Segundo a concessionária, o ramal concentra desafios relacionados ao acesso irregular de pessoas, furtos de cabos e subtração de outros componentes ferroviários.
Outro equipamento ficará no entorno do Pátio Presidente Altino, em Osasco, onde funciona a oficina de manutenção. A medida busca reforçar a prevenção contra furtos e invasões. O quarto drone permanecerá em reserva para permitir o rodízio entre operadores e ampliar a fiscalização quando necessário.
Concessionária amplia ações de segurança
A utilização dos drones integra uma estratégia mais ampla de segurança nas linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda. Entre as medidas está a criação da Coordenadoria de Inteligência e Segurança (CIS), responsável por desenvolver ações preventivas, apoiar a operação e articular o trabalho com diferentes áreas da companhia.
A coordenadoria é liderada por Alexandre Prates, ex-coronel da Polícia Militar de São Paulo, com 37 anos de atuação na área de segurança pública.
“A criação da CIS faz parte de uma gestão estratégica voltada à proteção das pessoas e do patrimônio, com uso de tecnologia e atuação conjunta com as áreas operacionais e, quando necessário, com as forças de segurança. Minha experiência vem para somar a esse processo, com foco em reduzir não conformidades e contribuir para a tranquilidade e a normalidade da circulação dos trens”, afirma Prates.
Em setembro de 2026, os drones acumularam mais de 80 horas de voo nas duas linhas. Nesse período, identificaram 39 pessoas em áreas exclusivas para a circulação de trens e apoiaram outras equipes da operação em 15 voos.
Os equipamentos também foram utilizados em situações envolvendo animais silvestres ou domésticos próximos à faixa ferroviária.
Além da fiscalização aérea, a concessionária informa que reforça a presença de agentes uniformizados nas plataformas e no interior dos trens. A medida busca coibir práticas irregulares, como a comercialização ilegal de produtos, e ampliar a segurança durante as viagens.