
O Spotify lançou na última terça-feira (20) o Memberships, recurso que permite aos podcasters cobrar uma assinatura mensal dos ouvintes em troca de conteúdo exclusivo. A novidade começou a chegar a 34 países, entre eles Estados Unidos, Reino Unido, Portugal e Espanha, mas o Brasil e o restante da América Latina ficaram de fora. Com a ferramenta, a plataforma quer disputar com o Patreon e o YouTube o dinheiro que os fãs pagam para apoiar seus programas favoritos.
O Spotify não informou quando o recurso deve chegar ao país. Os criadores brasileiros, porém, não saíram de mãos vazias: desde segunda-feira (19), a empresa paga podcasters nacionais pelo consumo de seus programas em vídeo.
Como funciona o Spotify Memberships
A ideia é parecida com a de um clube de fãs. Quem assina um podcast pode receber episódios extras em áudio e vídeo, acesso antecipado a novos programas, consulta a episódios antigos e conteúdo com menos anúncios.
Os criadores podem montar mais de um plano, com preços e benefícios diferentes. Um podcast pode oferecer, por exemplo, um plano básico com episódios antecipados e outro mais caro, com conteúdo extra e sem publicidade.
A assinatura começa na página do podcast dentro do Spotify, mas o pagamento é feito pelo navegador, fora do aplicativo. Depois da confirmação, os conteúdos exclusivos ficam disponíveis no próprio Spotify . Quem assina ainda ganha um selo de identificação ao comentar nos episódios.
Precisa ser assinante Premium?
Não. O Memberships funciona tanto para quem usa o Spotify grátis quanto para os assinantes do Premium . A cobrança é separada e vai direto para o podcast escolhido.
Quanto o criador ganha
O Spotify repassa 90% da receita das assinaturas aos podcasters e fica com 10% . A divisão é parecida com a cobrada pelo Patreon, plataforma em que fãs pagam mensalidades para apoiar criadores.
Para participar, o programa precisa estar hospedado no Spotify for Creators ou no Megaphone, ferramentas de publicação de podcasts. Também precisa ter pelo menos três episódios publicados, 100 ouvintes e 100 horas de reprodução no Spotify nos últimos 30 dias.
O criador ainda recebe dados sobre a conversão de assinantes, pode oferecer testes grátis e promoções e tem acesso ao contato dos membros que autorizarem o compartilhamento.
Por que o Spotify quer prender os podcasters
O lançamento faz parte da estratégia da empresa para ganhar espaço no mercado de podcasts em vídeo, em que o YouTube lidera. Hoje, muitos criadores publicam os episódios no Spotify, mas cobram dos fãs em serviços externos, como o Patreon ou as assinaturas de canal do YouTube .
Com o Memberships, a plataforma tenta manter todo o processo dentro de casa, da distribuição à cobrança. A empresa já havia mostrado uma prévia do recurso em maio, em um evento para investidores, e tinha testado um sistema de assinaturas em 2021.
O que muda no Brasil
Enquanto o clube de membros não chega, os podcasters brasileiros ganham acesso ao Spotify Partner Program, programa de remuneração que estreou no país na segunda-feira (19), junto com mais de 35 mercados, como México, Colômbia, Espanha e Itália .
O pagamento está ligado aos videocasts, os podcasts gravados em vídeo. O criador recebe pelo tempo que os assinantes Premium assistem aos episódios e também pela receita dos anúncios exibidos aos usuários do plano grátis. Segundo a coluna Faria Lima News, da revista Veja, o repasse é de 50% do lucro com anúncios elegíveis.
Quem fecha patrocínios por conta própria fica com 100% desse dinheiro. Os anúncios inseridos automaticamente saem dos episódios quando o assinante Premium assiste, mas as propagandas lidas pelo próprio apresentador continuam. Depois da aprovação, os pagamentos são feitos a cada 30 dias.