
Os celulares dobráveis voltaram a ganhar fôlego. A consultoria britânica Omdia, especializada em análise de mercado de tecnologia, prevê que o envio de telas para esse tipo de aparelho chegue a 29 milhões de unidades em 2026, alta de 44% em relação a 2025. Segundo o relatório, divulgado nesta quarta-feira (21), o impulso vem de um novo formato, mais largo, adotado por modelos como o iPhone Duo, da Apple, e o Galaxy Z Fold 8, da Samsung.
O número indica uma recuperação do setor, que teve queda nos envios de telas em 2025. Para o consumidor, a mudança sinaliza mais opções de dobráveis nos próximos anos, inclusive de marcas chinesas.
O que muda no novo formato dos dobráveis
A diferença está na proporção da tela, a relação entre largura e altura. Até agora, a maioria dos dobráveis do tipo "livro", que abrem como um caderno, combinava uma tela interna quase quadrada (10:9) com uma tela externa alta e estreita (21:9), bem mais fina que a de um celular comum.
Os novos modelos apostam em proporções mais largas, como 4:3 e 14:10, mais próximas das de um tablet. Segundo a Omdia, o formato facilita o uso de vários aplicativos ao mesmo tempo, a navegação na internet, as redes sociais e os apps de trabalho. A consultoria afirma que o mercado respondeu bem à novidade, o que indica uma fase inicial de adoção bem-sucedida.
Celulares dobráveis largos devem dominar em 2027
A tendência deve acelerar. "Espera-se que as remessas de telas para smartphones dobráveis de tela ampla representem 44% do total de remessas de painéis dobráveis em 2026. Essa participação deverá ultrapassar a marca de 60% em 2027, impulsionada pela entrada de mais fabricantes chineses no mercado", afirma Brian Huh, analista principal da área de telas da Omdia.
Isto significa que a partir do ano que vem, a maior parte das telas dobráveis produzidas no mundo deve seguir o formato mais largo. Segundo a consultoria, as fabricantes chinesas de celulares devem lançar os próprios modelos nesse padrão em 2027.
Samsung lidera o fornecimento de telas
A grande vencedora da mudança é a Samsung Display, divisão de telas do grupo sul-coreano. A empresa fornece com exclusividade as telas do Galaxy Z Fold 8 e do iPhone Duo, os dois principais lançamentos do segmento neste ano.
Com isso, a Omdia projeta que a participação da companhia chegue a 66% do mercado global de telas dobráveis.
As telas em questão usam a tecnologia AMOLED, em que cada ponto da imagem tem luz própria, o que permite cores mais vivas e painéis finos o bastante para dobrar. A Omdia também prevê forte crescimento das telas LTPO, versão que ajusta a velocidade de atualização da imagem conforme o uso para economizar bateria.
Envio de telas não é o mesmo que venda de celulares
Vale uma ressalva. O relatório mede as telas enviadas pelas fábricas às montadoras e não os aparelhos vendidos nas lojas. Como as telas costumam ser entregues antes da montagem, os números podem não coincidir com as vendas de celulares no mesmo período.
Ainda assim, o dado funciona como termômetro: se as fábricas produzem mais telas, é porque as marcas esperam vender mais aparelhos.
Quanto custam os dobráveis no Brasil
Por enquanto, o novo formato segue restrito ao topo de linha. No Brasil, o Galaxy Z Fold 8 é vendido entre R$ 10 mil e R$ 11 mil.
O iPhone Duo, primeiro dobrável da Apple, custa entre R$ 22 mil e R$ 31 mil. Conforme já divulgado pelo iG, o modelo se esgotou na pré-venda e a entrega dos aparelhos está prevista para fevereiro de 2027.