Ministro Marcos Pontes e Nicolina, a “astrônoma amadora mais jovem do mundo”, anunciada pelo Global Child Prodidy Awards 2022 como uma das 100 crianças prodígio do mundo.
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Ministro Marcos Pontes e Nicolina, a “astrônoma amadora mais jovem do mundo”, anunciada pelo Global Child Prodidy Awards 2022 como uma das 100 crianças prodígio do mundo.

Como astronauta e como senador, eu vi de perto como o mundo perde quando as portas da ciência se fecham para metade da população. Hoje, menos de 30% dos pesquisadores no planeta são mulheres. Isso não é falta de talento. É falta de oportunidade.

A ciência não tem gênero. O talento não tem gênero. A inteligência não tem gênero. Mas as oportunidades, infelizmente, ainda têm barreiras.

A história, porém, mostra algo poderoso: quando uma menina acredita que pode, ela muda tudo.

Foi assim com pioneiras como Bertha Lutz, que abriu caminhos quase impossíveis para as mulheres na ciência e na vida pública. Com Enedina Alves Marques, primeira engenheira negra do Brasil, que enfrentou preconceitos estruturais e se tornou símbolo de competência e resistência. Com Gioconda Mussolini, que consolidou a Antropologia Social no país.

Depois vieram as consolidadoras: mulheres que estruturaram áreas estratégicas e deixaram legado institucional duradouro. Johanna Döbereiner revolucionou a agricultura tropical sustentável. Niède Guidon redefiniu o conhecimento sobre o povoamento das Américas e integrou ciência e território. Mayana Zatz consolidou a genética médica no Brasil, aproximando ciência e políticas públicas.

E hoje temos brasileiras na fronteira do conhecimento global. Celina Turchi foi protagonista na resposta científica à epidemia de Zika. Ester Sabino liderou avanços na vigilância genômica durante a pandemia de COVID-19. Marcelle Soares-Santos é destaque internacional em cosmologia e ondas gravitacionais.

Esses exemplos precisam chegar às nossas crianças. Quando uma menina vê outra mulher no laboratório, no observatório, no hospital ou pesquisando o universo, ela entende algo fundamental: “Esse lugar também é meu.”

Durante minha gestão no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, entre 2019 e 2022, trabalhamos para ampliar oportunidades concretas para meninas e mulheres na ciência. Fortalecemos iniciativas como o Programa Meninas nas Ciências Exatas, Engenharias e Computação, que apoiou projetos em escolas públicas com bolsas, oficinas e estímulo à permanência feminina em STEM. Mantivemos e expandimos o Programa Futuras Cientistas, oferecendo imersão em laboratórios e experiências reais para alunas do ensino médio. E lançamos, por meio da Finep, o Programa Mulheres Inovadoras, acelerando startups lideradas por mulheres e premiando projetos com recursos que chegavam a R$ 100 mil por edição.

Eu também sou um dos principais defensores das olimpíadas científicas no Brasil, atuando de forma contínua desde o período em que estive à frente do Ministério até a minha atuação no Senado Federal. Como ministro, participei ativamente de premiações e realizei, em 2022, a maior entrega de medalhas das Olimpíadas Científicas promovida pelo MCTI, com 375 estudantes reconhecidos em São Paulo, além de incentivar professores e alunos por meio de webinários e ações de valorização da educação científica. No Senado, consolidei esse compromisso ao propor o PL 3.650/2023, que instituiu o Mês Nacional das Olimpíadas Científicas e do Conhecimento (Lei nº 15.331/2026), promovi audiência pública sobre o tema, criei a Frente Parlamentar em Defesa das Olimpíadas Científicas e anunciei proposta para a criação de uma Bolsa de Iniciação Científica Estudantil voltada a alunos de baixa renda que se destacam em competições nacionais. Além da atuação legislativa, recebo medalhistas internacionais, participo de cerimônias como a Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) e mantenho presença constante em eventos educacionais, defendendo as olimpíadas como instrumentos estratégicos para identificar talentos, ampliar oportunidades e impulsionar o desenvolvimento científico e tecnológico do país.

Não se trata de privilégio. Trata-se de justiça e de estratégia nacional.

Um país que limita suas meninas limita seu próprio futuro. O Brasil precisa de todas as suas mentes. Precisa das que já estão produzindo ciência de ponta e das que ainda estão na escola, sonhando em ser engenheiras, médicas, pesquisadoras, programadoras, astrônomas.

O Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, celebrado em 11 de fevereiro, é uma data que mostra que talento precisa de incentivo, que igualdade precisa de ação e que o futuro do Brasil depende da ciência. E a ciência depende de oportunidades reais.

Às meninas que sonham: acreditem em vocês mesmas. Não desistam. Às mulheres que já estão na ciência: vocês são inspiração e força transformadora. E ao Brasil, deixo uma convicção: quando abrimos espaço para todas, todos nós avançamos.

Parabéns a todas as meninas e mulheres da ciência. O futuro é de vocês e ele já começou.


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