Da esquerda para a direita: Senador Márcio Bittar (PL-AC); Senador Eduardo Braga (MDB-AM); Senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), autor do projeto e Senador Dr. Hiran (PP-RR), relator do projeto
Foto: Assessoria
Da esquerda para a direita: Senador Márcio Bittar (PL-AC); Senador Eduardo Braga (MDB-AM); Senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), autor do projeto e Senador Dr. Hiran (PP-RR), relator do projeto

Você já viveu ou conhece alguém que passou por erro médico? 

O avanço do projeto no Senado

Hoje, a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado Federal deu mais um passo decisivo para melhorar a qualidade da medicina no Brasil. Como autor do PL 2.294/2024, conhecido como “OAB da Medicina”, é uma grande satisfação ver essa proposta avançando com responsabilidade, rigor técnico e consenso sobre o que realmente importa: a vida da população.

O projeto já havia sido aprovado na CAS no fim do ano passado. Na sessão de hoje, analisamos e rejeitamos todas as emendas apresentadas. Como o projeto é terminativo na Comissão, ele agora segue para a Câmara dos Deputados, a menos que haja recurso para levar o tema ao Plenário.

Mas o mais importante é que não estamos discutindo ideologia, disputa política ou vaidade corporativa. Estamos discutindo vidas.

Da esquerda para a direita: Senador Dr. Hiran (PP-RR), relator do projeto; Senador Marcelo Castro (MDB-PI), presidente da Comissão; Senadora Dra. Eudócia (PL-AL) e Senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), autor da proposta.
Foto: Assessoria
Da esquerda para a direita: Senador Dr. Hiran (PP-RR), relator do projeto; Senador Marcelo Castro (MDB-PI), presidente da Comissão; Senadora Dra. Eudócia (PL-AL) e Senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), autor da proposta.

Por que o Brasil precisa da “OAB da Medicina”?

Hoje existe um consenso inequívoco no Senado, na área médica e na sociedade:

a qualidade do ensino médico no Brasil precisa ser aperfeiçoada.

Não se trata de uma impressão, mas de um diagnóstico claro. O Brasil tem 448 escolas de medicina, o dobro de dez anos atrás. Há quase 300 novos pedidos de abertura de cursos, muitos sem hospital-escola.

No ENAMED, a avaliação nacional dos cursos:

107 cursos receberam notas 1 ou 2 (desempenho insatisfatório);
13 mil formandos vêm dessas instituições;
30,5% dos cursos avaliados tiveram proficiência menor que 60%.

Esses números acendem um alerta vermelho. 

Formar médicos não é abrir sala de aula: é preparar profissionais que vão lidar com vida e morte todos os dias.É por isso que eu afirmo com toda convicção: não existe espaço para complacência quando se trata de saúde.

José Hiran da Silva Gallo, presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM) e Senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), autor da proposta.
Foto: Assessoria
José Hiran da Silva Gallo, presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM) e Senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), autor da proposta.

Expansão desordenada e risco à população

A abertura acelerada de faculdades sem estrutura adequada criou um cenário perigoso. Estudantes se formam sem internato adequado, sem vivência clínica suficiente e sem padrões mínimos de qualidade.

Quando um recém-formado não domina o básico, quem paga a conta é o paciente.

E o país já está vendo consequência disso:

Os processos por erro médico cresceram 506% em um ano, segundo o Conselho Nacional de Justiça.
A OMS estima que 10% dos pacientes do mundo sofrem algum dano durante o atendimento.

Se sabemos que a qualidade está caindo, por que não agir imediatamente? 

O exame de proficiência não atinge bons médicos. Pelo contrário: ele protege a população e valoriza quem estudou, quem se dedicou e quem honra o juramento profissional.

O que o Senado discutiu hoje

A sessão da CAS deixou claro que existe um consenso:

  1. A formação médica brasileira precisa melhorar.
  2. O objetivo central do projeto é proteger vidas.
  3. O exame não ofende ninguém, ele eleva o padrão.
  4. Onde se trata de vida, não se pode fazer política nem cálculos de conveniência.

As emendas rejeitadas buscavam flexibilizar pontos essenciais, mas o Senado entendeu que não há espaço para atenuar os padrões de segurança. Se já existe consenso sobre a necessidade de melhorar a formação, não há justificativa para rejeitar um exame que garante qualidade mínima.

Quem deve aplicar a prova?

Este é outro ponto fundamental. O MEC é responsável por avaliar as instituições de ensino, não profissionais já formados. A partir do momento em que o estudante recebe o diploma, ele deixa de ser aluno e passa a ser profissional e, portanto, entra sob responsabilidade dos Conselhos.

Por isso, o exame deve ser aplicado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), que tem a atribuição de fiscalizar a profissão. Quem forma não pode ser o mesmo que fiscaliza. É assim que se constrói credibilidade e transparência.

O que a população pensa?

Esse talvez seja o dado mais revelador. Uma pesquisa Datafolha encomendada pelo CFM mostrou:

96% dos brasileiros defendem que médicos recém-formados passem por exame de proficiência.
98% querem que todos os recém-formados façam a prova, sem exceção.
92% acreditam que a prova aumentará a confiança no atendimento médico.
94% afirmam que o impacto será positivo para a saúde pública e privada.

É praticamente unanimidade nacional. A população sabe o que está em jogo. E eu sei também: não existe nada mais valioso do que a vida. Humanizar a medicina é garantir competência

Diferente do ENAMED, que avalia cursos, o exame de proficiência avalia o profissional individualmente. Ele verifica competências técnicas, habilidades clínicas, conhecimento ético e capacidade real de atendimento.

Eu venho de uma família simples. Meu pai era faxineiro e me ensinou, desde cedo, que tudo na vida se conquista com esforço, disciplina e responsabilidade. Por isso digo, com absoluta tranquilidade: não é elitismo exigir que um médico saiba o básico. É proteção. É justiça. É humanidade.

O que vem pela frente

O próximo grande debate que pretendo conduzir é a distribuição desigual dos médicos no Brasil. Não adianta ter profissionais apenas nos grandes centros. O país precisa de planejamento, infraestrutura, equipamentos, remédios e médicos qualificados em todas as regiões, de modo homogêneo.

Mas tudo começa pelo começo:assegurar que cada médico formado esteja preparado para cuidar da sua vida e da minha, das nossas famílias e de todos os brasileiros.

Esse é o propósito da “OAB da Medicina”.

E eu seguirei trabalhando com firmeza e responsabilidade para que esse projeto avance, porque vida não se negocia, se protege.

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