
Ao longo dos últimos três dias, entre 11 e 13 de maio, tive a honra de conduzir no Senado Federal uma série de reuniões da Frente Parlamentar em Favor da Educação Profissional e Tecnológica (FPEpTec).
E saio desses encontros com uma convicção ainda mais forte: a educação profissionalizante pode transformar o futuro do Brasil. Não apenas no aspecto econômico, mas principalmente no aspecto humano e social.

Foram dias de muito aprendizado, troca de experiências e construção de ideias com representantes do Sistema S, especialistas em educação, empresários, professores e profissionais que vivem diariamente os desafios da formação técnica no país.
O que ouvimos ali foi um alerta importante. O Brasil enfrenta um apagão de mão de obra qualificada justamente em um momento em que o mundo passa por uma transformação acelerada no mercado de trabalho. Até 2030, o planeta deve criar cerca de 78 milhões de novos postos de trabalho, enquanto quase 60% da força de trabalho precisará de requalificação profissional. E nós ainda temos uma participação muito pequena de jovens no ensino técnico, muito abaixo de países desenvolvidos como Alemanha, Coreia do Sul e outras referências mundiais em educação profissional.
Mas, mais do que números, o que mais me marcou foram as histórias humanas.

Eu sempre digo que falo desse tema não apenas como senador, mas como alguém que viveu isso na prática. Eu nasci na periferia de Bauru. Meu pai trabalhava como servente de serviços gerais. Aos 14 anos, entrei no Senai e comecei a trabalhar como eletricista aprendiz na Rede Ferroviária Federal. Foi aquele curso profissionalizante que mudou completamente a minha vida.
Enquanto muitos jovens da minha idade acabavam sendo atraídos para caminhos errados, eu estava ocupado estudando, trabalhando e sonhando com um futuro melhor. O curso profissionalizante me deu direção, propósito e dignidade. Foi ali que comecei a construir o caminho que, anos depois, me levaria à Força Aérea, ao ITA, à NASA e ao espaço.

E é exatamente isso que queremos proporcionar para milhões de jovens brasileiros.
As reuniões mostraram algo muito claro: quando o jovem encontra oportunidade, ele encontra identidade. Ele deixa de ser apenas “o filho de alguém” e passa a ser reconhecido pela sua profissão, pelo seu talento, pelo seu esforço. A educação técnica devolve autoestima, esperança e a capacidade de sonhar.
Também ficou evidente que o desafio não é apenas educacional. É um desafio de soberania nacional, competitividade econômica e segurança pública.
Quando um jovem fica sem perspectiva, sem qualificação e sem oportunidade, ele se torna vulnerável. Vulnerável ao desemprego, às drogas, à violência e ao crime. Mas quando ele entra em um curso técnico, aprende uma profissão e começa a enxergar futuro, nós mudamos completamente essa trajetória.
Eu acredito sinceramente que, se o Brasil ampliar de forma consistente a oferta de cursos profissionalizantes e tecnológicos, especialmente para jovens mais vulneráveis, nós veremos, em poucos anos, uma redução significativa da criminalidade, do uso de drogas e da exclusão social.
Não é teoria. É uma experiência de vida.
Os encontros também reforçaram a importância de modernizar o ensino técnico. Precisamos aproximar mais as escolas das empresas, atualizar laboratórios, integrar inteligência artificial, ensino híbrido, experiências práticas e novas tecnologias. O mundo mudou e a educação precisa acompanhar essa velocidade.
Além disso, ficou muito claro o papel fundamental do Sistema S nessa transformação. Senai, Senac, Senar, Sest Senat e tantas outras instituições vêm realizando um trabalho extraordinário de formação profissional e inclusão produtiva em todas as regiões do país.
Agora começa uma nova etapa.
A partir dessas reuniões, nosso gabinete, juntamente com todos os participantes e especialistas envolvidos, irá elaborar um relatório técnico com propostas concretas para a criação de um plano nacional voltado à educação profissional e tecnológica.
O objetivo é claro: educar, qualificar e socializar os jovens brasileiros.
Queremos ampliar oportunidades, preparar nossa juventude para as profissões do futuro, fortalecer a economia e reduzir a violência e o número de jovens nas ruas sem perspectiva.
Porque eu acredito profundamente nisso: quando damos oportunidade para um jovem, não transformamos apenas uma vida. Transformamos famílias, comunidades e o futuro inteiro de um país.
E o Brasil não pode desperdiçar o talento da sua juventude.
