Do Nintendo 64 aos dias atuais, o encanto por novidades tecnológicas segue influenciando comportamentos e consumo
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Do Nintendo 64 aos dias atuais, o encanto por novidades tecnológicas segue influenciando comportamentos e consumo

Eu não sei você mas, no último mês, eu  interagi mais com a IA do que com minha esposa. Digo "eu não sei", pois talvez você não seja o tipo de nerd que eu sou. Mas a verdade é que, nos 20 minutos diários em que me permito consumir rede social, os algoritmos me dizem que estou longe de estar sozinho nessa obsessão.

Memes e mais memes me ajudam a dividir a culpa de estar viciado nesse negócio de OpenClaw, Claude Code e tudo mais. Os vídeos que chegam pra mim são ótimos.

Eu até mando alguns pra Isa. São esposas que se fantasiam de computador para chamar atenção do marido, são influencers ensinando o que aprenderam há 3 minutos, são piadas com quem ainda usa o GPT e com a irritação que é ter um amigo te convencendo a migrar pro Claude porque tudo que ele está fazendo é "absurdamente incrível".

A alegria de ter agentes digitais "trabalhando" 24 horas por dia, de passar horas e horas num chat realizando tudo o que ele pode fazer, talvez seja comparável à primeira vez que você, meu caro millennial, jogou Super Mario 64.

Você lembra? O mundo que você conhecia até então era 2D. Aquele encanador andava, pulava, corria, batia a cabeça em caixas que soltavam moedas e entrava em tubos na horizontal. De repente, eles lançam o videogame que muda tudo: "It's-a me, Mario!"

De uma hora pra outra, Mario podia andar para qualquer lado. O controle tinha até um manche maneiro que permitia movimentos de 360 graus.

Num cartucho parrudo, dava para andar por um universo inteiro com bilhões de cores, barulhos e possibilidades.

O Nintendo 64 foi lançado em setembro de 1996 e era um presente caro.

Eu, leitor assíduo da revista Ação Games, contava os dias para esse lançamento. Por sorte, eu tinha um tio que viajava frequentemente aos Estados Unidos (podia comprar mais barato em tempos de dólar a 1 real) e pais que, naquele Natal, puderam me presentear com o meu.

O N64 era uma brincadeira que tirava um garoto de treze anos do convívio presencial. Naquelas férias, e em muitas outras, mergulhei no Super Mario 64, depois no 007 Contra GoldenEye, depois no International Superstar Soccer e em tantos outros jogos icônicos.

Não me arrependo, assim como duvido que qualquer outro da minha geração se arrependa de ter vivido essa fase maravilhosa dos videogames.

Mas o que a Nintendo tem a ver com o OpenClaw? Bom, esse meu videogame atual também é um brinquedo caro. Nas últimas 2 semanas queimei mais de 50 milhões de tokens (gasolina da IA) e gastei mais de 100 dólares numa atividade que caminha na linha tênue entre realizar algo útil e simplesmente bater cabeça numa masturbação digital que não passa nem perto de qualquer conotação sexual.

Portanto, não se engane: agentes autônomos são brinquedos caros.

E se você tem algum amigo que está te enchendo o saco sobre Claude, vale aprender com os erros do passado. Lembra daquele pobre coitado que insistiu em ficar jogando Mega Drive?

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