Filme
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Filme "A Bruxa de Blair"

Eu não sei se entendi a notícia muito bem. Busquei as fontes oficiais e não achei, então só consegui ler a repercussão na mídia especializada. A manchete é a seguinte: a partir da cerimônia de 2027, performances e roteiros gerados por Inteligência Artificial deixarão de ser elegíveis à premiação do Oscar.

Tá ok, mas, então antes disso podia?

O detalhe é que as “ferramentas de produção” continuam liberadas. Então, na prática, será que eu posso usar IA para criar a backstory de um personagem? Posso editar um diálogo para deixá-lo mais “interessante” com frases como “fulano de tal foi atravessado por um silêncio ensurdecedor” ou então “não é sobre isso, é sobre aquilo”. Posso substituir todo o time de designers que fica preenchendo os chromakey da vida por um estagiário do prompt? 

A decisão da Academia deve ter vindo depois daquele vídeo do Tom Cruise lutando contra o Brad Pitt. Aquilo é bem bizarro! Para completar o quadro de pânico nos cabeças-brancas da Academia, o Val Kilmer - que morreu em abril de 2025 - vai aparecer em um filme independente 100% revivido por IA.

Com gente morta, o tema é mais delicado ainda. Nada contra o Val Kilmer mas, o primeiro ator que eu gostaria de trazer do além seria o Robin Williams. O problema é que, obviamente, eu não sou o único fã que gostaria disso e centenas de deepfakes usando seu rosto e voz já circulam por aí.

Mais maluco é imaginar o que vai acontecer quando surgir um longa-metragem feito com IA que seja absolutamente brilhante. Mais que isso, que seja um sucesso global. Será criado por alguém que nunca pisou num set de filmagem, que nunca teve um agente e nunca nem sonhou visitar Hollywood. Um adolescente com uma boa ideia que vai colocá-la no mundo porque agora ele tem como. Mais ou menos como foi “A Bruxa de Blair” - lembra?

Isso é o próximo passo lógico do que já está acontecendo.

A resposta mais inteligente que a Academia pode dar, no médio prazo, é a mesma que deu décadas atrás com a animação. Criou uma categoria. Reconheceu que aquele tipo de obra existia, importava e precisava de um lugar próprio. Não era cinema de primeira, não era cinema de segunda, era cinema diferente. Com processos criativos distintos, com uma linguagem que merecia ser levada a sério nos seus próprios termos.

A arte vai continuar…

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