
Thomaz Pinelli, empreendedor com duas décadas de atuação na engenharia de automação e fundador do Grupo TH, oferece uma visão pragmática e realista sobre a integração da Inteligência Artificial e da robótica no setor industrial. Iniciando a sua carreira na Johnson & Johnson, onde percebeu que as máquinas existem para eliminar tarefas insalubres e não para descartar pessoas, Pinelli defende que a tecnologia é uma mera ferramenta cujo impacto depende inteiramente da intenção humana. Ele enfatiza que, embora os modelos de IA acelerem a criação de código e o projeto de máquinas, eles apenas recombinam dados do passado e são incapazes de formular as perguntas certas, criar do zero ou assumir a responsabilidade final por decisões estratégicas. Tomás alerta ainda para o estrangulamento energético dos data centers e para a iminente "bolha" no consumo de dados, ressaltando que a sobrevivência profissional exige a capacidade contínua de "desaprender e reaprender".
Ao analisar o cenário produtivo nacional, Pinelli critica o "viralatismo" e a ausência de um projeto de estado de longo prazo (30+ anos) que promova a reindustrialização do Brasil e agregue valor tecnológico às commodities do agronegócio. O empresário explica que a introdução de robôs móveis e antropomórficos — como os modelos quadrúpedes da Boston Dynamics que representa no país — deve priorizar ambientes de altíssima periculosidade e mineração, preservando a integridade física dos trabalhadores. Guiado por uma cultura de oportunidade que valoriza o aprendizado através do erro, Tomás conecta a sua atuação empresarial ao apoio direto de projetos sociais de robótica em comunidades vulneráveis, demonstrando que a Indústria 4.0 não elimina o fator humano, mas sim exige profissionais mais qualificados, criativos e dotados de inteligência orgânica.
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