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Reprodução/Youtube/Bruno Sartori
Políticos como Jair Bolsonaro são alvos constantes de deepfake, sobretudo para brincadeiras



O Facebook anunciou, nesta seguda-feira (06), que irá remover vídeos manipulados da rede social . Conhecidos por deepfakes , as produções falsas são criadas com o uso de inteligência artificial , e fazem parecer que uma pessoa disse ou fez algo que, na verdade, é mentira. O objetivo do Facebook é combater a desinformação e, portanto, os vídeos de sátiras e paródias, que não visam enganar alguém, serão permitidos.

Monika Bickert, vice-presidente de Políticas Globais do Facebook , explica que a edição de vídeos não é, por si, negativa. É possível, por exemplo, montar sequências mais atrativas ou melhorar a qualidade das imagens e do áudio. Sátiras e paródias, ou vídeos editados “apenas para omitir ou alterar a ordem de palavras” não serão afetados. O foco está no conteúdo criado especificamente para promover a desinformação.

Ela ressalta, ainda, que o assunto é muito novo, representando um desafio para as empresas de tecnologia . “Apesar desses vídeos ainda serem raros na internet, eles apresentam um grande desafio para a nossa indústria e a nossa sociedade”.

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O que fica e o que sai

Com a decisão, serão removidos do Facebook vídeos “editados ou sintetizados — além dos ajustes por claridade ou qualidade — em formas que não são aparentes para uma pessoa média e que possam enganar alguém a pensar que um sujeito do vídeo disse palavras que, na realidade, não disse”; ou que sejam “produto de inteligência artificial ou aprendizado de máquina que mescla, substitui ou sobrepõe conteúdo a um vídeo, fazendo com que pareça autêntico”.

A rede social é constantemente criticada por sua influência em disputas eleitorais, pela distribuição de conteúdos que promovem a desinformação dos eleitores. Em ano de eleição americana, a preocupação aumenta, dada a participação do Facebook no último pleito. Mas definir quais vídeos serão ou não removidos não é tarefa fácil.

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No ano passado, o Facebook foi duramente criticado por permitir a circulação de um vídeo, claramente editado, que mostrava a líder democrata na Câmara, Nancy Pelosi, falando de maneira enrolada, parecendo embriagada. O efeito foi alcançado diminuindo a velocidade do vídeo e ajustando o volume em alguns trechos. Contudo, tal edição não seria afetada pela nova política, informou a companhia à agência Reuters.

“O vídeo da Pelosi não atende aos padrões desta política e não seria removido. Apenas vídeos gerados por inteligência artificial para retratar pessoas dizendo coisas fictícias serão removidos”, afirmou a companhia. “Após o vídeo da Pelosi ter sido analisado por checadores de fatos independentes nós reduzimos sua distribuição, e criticamente, pessoas que assistiram tentaram compartilhar ou já haviam recebido alertas de que era falso”.

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