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Agência Brasil
Hospitais chineses usam inteligência artificial para acelerar o diagnóstico


Médicos chineses estão testando o uso de uma inteligência artificial para detectar infecções causadas pelo coronavírus . Realizado no hospital Zhongnan, da Universidade Wuhan, no epicentro da doença na China , o uso da tecnologia tem o objetivo de acelerar o diagnóstico, levando o tratamento de forma mais rápida aos atingidos pelo vírus.

Em entrevista à revista Wired, Haibo Xu, diretor do departamento de radiologia no hospital, contou que um dos experimentos que estão em andamento é o uso de um algoritmo para detectar sinais visuais de pneumonia associada ao Covid-19 em imagens de tomografia computadorizada. Dessa forma, é possível direcionar os esforços das equipes sobrecarregadas para pacientes com maior probabilidade da doença.

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O software , disse Xu, “pode identificar sinais típicos da pneumonia do Covid-19. Porém, o diagnóstico de pneumonia não é suficiente para comprovar a infecção pelo coronavírus, mas a triagem permite que os pacientes sejam isolados e encaminhados para testes adicionais, acelerando o início do tratamento.

Como funciona o sistema 

O algoritmo foi desenvolvido pela startup Infervision , que desenvolve ferramentas para o “diagnóstico de imagem assistido para múltiplas áreas do corpo, incluindo, mas não se limitando, ao cérebro, aos pulmões, ao esqueleto e aos ossos”. Originalmente, a empresa desenvolvia software para a detecção de câncer, mas ampliou o escopo para outras doenças, incluindo males respiratórios, como pneumonia e tuberculose.

Fundada em 2015, a Infervision já recebeu 482,5 milhões de yuans (cerca de R$300 milhões) em investimentos, segundo o site CB Insights, sendo o maior investidor o fundo Sequoia Capital, conhecido por ter apostado em empresas que se tornaram gigantes da tecnologia , como Apple e Google .

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A startup é exemplo da política chinesa para inteligência artificial. Com leis relativamente brandas em relação à privacidade, empresas como a Infervision têm à disposição imensos bancos de dados para o treinamento de algoritmos . No caso, a Infervision usou centenas de milhares de imagens radiológicas dos principais hospitais chineses.

A ferramenta já estava em uso no Hospital Zhongnan, assim como em outros hospitais chineses e clínicas na Europa e nos EUA. Segundo o diretor executivo da Infervision, Kuan Chen, o software detectou que havia algo de errado quando seus clientes mudaram repentinamente o padrão, logo após os primeiros alertas do surgimento da doença. O uso da função para detecção de pneumonia, antes pouco utilizada, disparou. "Nós percebemos que isso vinha da epidemia", diz Chen.

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Imediatamente, os funcionários da startup baseada em Pequim começaram a trabalhar no diagnóstico de pneumonia relacionada ao Covid-19. Sem folga durante as festividades do ano novo lunar, eles receberam imagens da doença recém-descoberta do Hospital Wuhan Tongji, um dos primeiros a receber pacientes com a nova infecção. Segundo Chen, a versão atual já foi treinada com mais de 2 mil imagens de pacientes com o coronavírus.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico definitivo requer a detecção do vírus causador, o SARS-CoV-2, em fluidos corporais, mas a testagem leva tempo, ainda mais com os laboratórios sobrecarregados pela epidemia. Por esse motivo, o governo chinês recomenda o uso de imagens de tomografia computadorizada como um dos indicadores da doença.

Este é apenas um dos mais de 230 estudos clínicos em andamento sobre o novo vírus na China. O desenvolvimento e a testagem clínica de novos software e tratamentos em semanas não é o cenário ideal. Normalmente esse processo leva anos, mas a situação emergencial, com avanço da doença para outros países, inclusive para o Brasil, exige celeridade. Ainda não existe vacina para o vírus, nem tratamento específico para os sintomas. A ferramenta da Infervision, eventualmente, exigirá aprovação formal do governo, mas agora a prioridade é ajudar médicos e pacientes. "Sempre existem riscos associados a ações em epidemias como essa, mas os riscos da inação são muito maiores", afirma Chen.

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