Por música offline e acesso móvel, usuários trocam a pirataria pelo streaming

Por Emily Canto Nunes - iG São Paulo |

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Spotify, um dos principais serviços de streaming de música do mundo, completa um ano de operação no Brasil em maio

Spotify é um serviço de streaming de música e, em breve, também de podcast e vídeos, compatível com diferentes sistemas e dispositivos
Divulgação
Spotify é um serviço de streaming de música e, em breve, também de podcast e vídeos, compatível com diferentes sistemas e dispositivos

Depois que todos os concorrentes, Deezer, Rdio e Napster já estavam estabelecidos no Brasil, o Spotify chegou, em maio de 2014. Há um ano, os preços de assinatura ainda em dólar denunciavam a urgência em inaugurar a operação brasileira. Um ano depois, os números mostram que o serviço de streaming conquistou o seu espaço. Thiago Pagliuso, diretor de vendas do Spotify, disse, em conversa com o iG, que hoje o principal concorrente, e não só no Brasil, ainda é a pirataria, mais do que outros serviços. “O primeiro passo para tirar o usuário da pirataria não é fazê-lo pagar, mas mostrar o modelo, para que ele possa ver valor e mudar de ecossistema”, explica.

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A porta de entrada para o streaming é, sem dúvida, o modelo gratuito, que no caso do Spotify permite que o usuário ouça qualquer artista ou playlist em ordem aleatória no celular, mas com propaganda, e que apenas seis músicas sejam puladas por hora. Já a porta de entrada para a versão paga – Premium, R$ 14,90 por mês – é o acesso às músicas off-line, também em razão da baixa qualidade da rede de internet móvel no Brasil, 3G e 4G. De acordo com Carol Baracat, diretora de marketing do Spotify, 80% dos usuários que hoje são Premium foram Free. Na sua opinião, e considerando que o Spotify foi o penúltimo serviço de streaming de música a chegar no Brasil – na frente apenas de Google Play Música –, tal dado mostra que o usuário soube reconhecer o valor da experiência que teve na plataforma.

Para Pagliuso, a possibilidade de ter acesso a algumas faixas mesmo quando se está off-line é, inclusive, mais motivador do que não escutar publicidade no meio das músicas. No final do dia, alguém tem que pagar a conta de plano ou de outro, e o Spotify encara os dois modelos de negócio da mesma forma e dá a mesma importância. O plano pago também possibilita que o usuário acesse a sua conta em mais de um dispositivo, algo que é importante para o usuário brasileiro, para quem o smartphone “se tornou a primeira tela” conforme Pagliuso. 

Dos 104 minutos diários que o usuário brasileiro permanece no Spotify, boa parte é via celular. De acordo dados das plataforma, nos primeiros momentos do dia o movimento é intenso nos dispositivos móveis para, durante o horário comercial, passar para o desktop e então, no começo da noite, voltar para o mobile. Durante a tarde, no entanto, por volta das 15 horas, há um pico de acesso gerado especialmente por jovens de 18 a 24 anos. Segundo Carol, 70% dos usuários se encontram nesta faixa etátia.

Segundo Pagliuso, as parcerias também aumentam o interesse pela versão paga. Nesse último ano, tanto global quanto localmente, o Spotify anunciou inúmeras integrações com outros dispositivos, como caixas de som, e até mesmo com sistemas para carros, como o Lync, da Ford, ou ainda com o serviço de motorista particular Uber, que permite que o usuário coloque sua playlist para tocar enquanto a corrida acontece. Recentemente, o Spotify anunciou uma parceria com o PlayStation para que os jogadores possam escolher a trilha sonora que desejam escutar enquanto jogam: o aplicativo teve milhares de download logo após o lançamento segundo a empresa.

Outro pilar do sucesso do Spotify neste primeiro ano de Brasil é de responsabilidade do algoritmo por trás da plataforma. Vale lembrar que mesmo antes de chegar o Brasil, o Spotify comprou a Echo Nest, empresa líder em inteligência musical. Criado no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o MIT, o Echo Nest é um software que reconhece impressões digitais acústicas, capaz de compreender o conteúdo textual e auditivo de músicas gravadas e por isso responsável pelo sistema de recomendações, identificação de música, criação de playlist do Spotify e de outros serviços de streaming

Playlists para momentos

Um dos momentos em que o algoritmo do Spotify entra em ação é na criação de playlists, a cargo de Bruno Telloli. Segundo o curador, que perdeu as contas de quantas listas de música criou, o algoritmo é importante para descobrir tendências dentro da própria plataforma e também para melhorar a experiência do usuário. “É possível segmentar, ver que tipo de pessoa – se homem ou mulher, faixa etária, em que parte do Brasil – pulou uma música”, exemplicou Telloli, que mistura suas habilidade de análise de dados com conhecimento musical para criar as playlits.

De acordo com ele, as listas têm a função de apresentar novos artistas e novas faixas, mas também de incentivar o usuário a criar suas próprias listas de reprodução. Alguns números do Spotify confirmam essa função: foram 11 milhões de playlists criadas pelos brasileiros em um ano. As listas de reprodução também ajudam a aproximar o usuário da produção local. "Sugerir o básico da música brasileira é fácil, o difícil é encontrar algo diferente e novo em MPB ou Funk", comenta. De fato, as playlists ajudem: há um ano, 14% dos streamings no Brasil eram de conteúdo local, hoje esse consumo está em 37%, o que representa um aumento de 160% no período.

Spotify é serviço de música com versões grátis e paga para iOS, Android e Windows Phone
Divulgação
Spotify é serviço de música com versões grátis e paga para iOS, Android e Windows Phone

Um dos grandes diferenciais do Spotify são as playlists por momentos –  para dormir, para limpar a casa ou para correr. A fama é tanta que os tais momentos se tornaram quase o slogan do Spotify e serão tema próxima campanha do serviço segundo contou Carol Baracat.

Citando o fundador do Spotify, Daniel Ek, Tiago Pagliuso disse que, com o streaming, a música está finalmente alçando a importância que de fato ela tem na vida das pessoas. “Antes só escutávamos música no carro, em casa, agora, com o smartphone, é em qualquer lugar”.

Segundo Telloli, para entender cada momento, é preciso entrar na conversa dos usuários, saber do que eles estão falando e criar listas a partir daí, como foi com a da playlist Supernerd, criada na época que a ComicCom, evento de cultura pop, aconteceu no Brasil. Segundo ele, mais do que o gênero, para o Spotify importa o contexto em que a música está sendo ouvida. É dessa forma que ela faz parte da vida das pessoas.


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