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Nessa segunda-feira, o serviço de mensagens instantâneas foi bloqueado em todo o País após decisão da Justiça de Sergipe

Estadão Conteúdo

Comprado pelo Facebook, WhatsApp é um dos aplicativos de troca de mensagens mais populares
Divulgação
Comprado pelo Facebook, WhatsApp é um dos aplicativos de troca de mensagens mais populares

O WhatsApp entrou com recurso na segunda-feira (2) contra a decisão da Justiça de Sergipe que determinou o bloqueio do serviço de mensagens instantâneas em todo o País. Em entrevista, o diretor global de comunicação do WhatsApp, Matt Steinfeld, afirmou que o objetivo é colocar o serviço no ar antes do prazo do bloqueio, que termina às 14h da próxima quinta-feira (5). Por coincidência, o executivo acompanha um grupo de funcionários da companhia norte-americana que está no Brasil para explicar como o serviço funciona para autoridades.

O WhatsApp diz que não tem as informações que a Justiça pede. O sr. pode explicar por quê?

Matt Steinfeld - Recentemente, o WhatsApp anunciou a criptografia de ponta a ponta por padrão em todas as mensagens. Isso significa que, quando uma pessoa envia uma mensagem, somente ela e o destinatário podem ler essa mensagem. Quando a mensagem é enviada, ela é embaralhada em um código de letras e números. Assim, mesmo que seja interceptada, ninguém consegue entendê-la. Ninguém pode ter acesso ao conteúdo daquela mensagem e isso inclui o WhatsApp. Nós não temos como decodificar a mensagem.

Vocês armazenam metadados sobre os usuários?

Matt Steinfeld - Nós tipicamente não coletamos muitos dados sobre os usuários. Quando você se cadastra no WhatsApp, você informa o número do seu telefone e nós temos essa informação. Quando falamos em metadados, nós não armazenamos essas informações em nossos servidores.

Vocês estão cientes de que o Marco Civil da Internet exige a guarda de metadados?

Matt Steinfeld - Nós sempre procuramos manter o serviço o mais simples possível e o fato de não armazenarmos essas informações nos permite oferecer um aplicativo mais rápido e confiável. É a forma como oferecemos o serviço em todo o mundo.

De que maneira o WhatsApp tem colaborado com a Justiça brasileira para evitar bloqueios?

Matt Steinfeld - Um grupo de pessoas do WhatsApp está no Brasil nesta semana para se reunir com oficiais, autoridades e promotores de Justiça para adotar uma política mais aberta de comunicação com as autoridades. Queremos ajudar a esclarecer mal entendidos ou dúvidas sobre o serviço. Nossa esperança é que uma comunicação mais clara permita que possamos trabalhar juntos para resolver os problemas de forma colaborativa.

Vocês recorreram da decisão?

Matt Steinfeld -  Sim. Não estou certo de quando teremos uma resposta da Justiça, mas nós entramos com um recurso ontem, e a ordem de bloqueio é de 72 horas. Nós esperamos reverter essa decisão antes disso( na madrugada o recurso foi negado pela Justiça e o bloqueio segue).

O WhatsApp já enfrentou situação similar em outros países?

Matt Steinfeld - Alguns recursos foram bloqueados por um período de tempo, mas o Brasil é muito importante para nós, com mais de 100 milhões de usuários. Nós realmente queremos que isso não se repita.


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