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Segundo estudo, a população de negros, mulheres e LGBTI+ tem manifestado medo de ataques por divergências; Bolsonaro e Haddad se pronunciaram

Menções a agressões durante período eleitoral sobem no Twitter, segundo FGV
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Menções a agressões durante período eleitoral sobem no Twitter, segundo FGV


Negros, LGBTI+ e mulheres são a parcela da população brasileira que mais tem se manifestado no Twitter durante o período eleitoral. De acordo com estudo realizado pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas (Dapp), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a rede social recebeu 2,7 milhões de postagens entre às 19h de domingo (7), após a votação, e às 15h da última quinta-feira (11).

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Após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciáveis, a maior parte das menções na rede social estão diretamente relacionadas ao medo de ataques motivados por divergências políticas e ideológicas, que têm crescido no País durante o período eleitoral .

O estudo encontrou postagens com casos de violência psicológica e moral, como ofensas e ameaças virtuais, além de relatos de agressões físicas que foram registradas nas ruas, no transporte público e nos ambientes de trabalho.

Na segunda-feira (8) pós-primeiro turno, o assunto mais comentado do Twitter foi o assassinato de Romualdo Rosário da Costa , de 63 anos, conhecido como Moa do Katende. O capoeirista foi morto em um bar na região central de Salvador, depois de declarar que votou em Fernando Haddad (PT).

Quando a morte foi divulgada, Mestre Moa foi citado em 112 mil postagens na rede social. Segundo a Daap, depois do caso, o número de publicações que denunciavam agressões a jornalistas e eleitores do Partido dos Trabalhadores (PT) alcançou números relevantes.

No mesmo dia, uma jovem de 19 anos registrou um boletim de ocorrência em Porto Alegre. Ela usava a camiseta com a estampa "#Elenão", campanha que faz repúdio ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), quando foi persuadida por três de seus apoiadores. Além das agressões, os homens  gravaram uma suástica  – símbolo do Nazismo – em sua pele com um canivete. As menções sobre o caso no Twitter chegaram a 329 mil, segundo o estudo.

Na terça (9) e na quarta-feira (10), outros ataques inundaram a internet. Um jovem universitário também foi agredido por apoiadores de Bolsonaro (PSL), desta vez em Curitiba , quando usava um boné do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Julyanna Barbosa, mulher transsexual,  foi agredida no Rio de Janeiro aos gritos de “Bolsonaro vai ganhar para acabar com os veados, essa gente lixo tem que morrer”.

Candidatos se posicionaram sobre a violência no período eleitoral

Os candidatos Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) se manifestaram contra a violência durante período eleitoral
Reprodução
Os candidatos Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) se manifestaram contra a violência durante período eleitoral


No mesmo dia, o candidato petista se pronunciou no Twitter, demonstrando preocupação com a violência às vésperas da campanha para o segundo turno. "Estamos recebendo mensagem de atos de violência em todo o país, alguns chegam à imprensa, outros não, além da continuidade das mentiras pelo WhatsApp e pelo Facebook. Isso precisa parar. Violência não se responde com violência", escreveu.

Jair Bolsonaro também repudiou a violência em suas redes sociais : "Dispensamos voto e qualquer aproximação de quem pratica violência contra eleitores que não votam em mim. A este tipo de gente peço que vote nulo ou na oposição, e que as autoridades tomem as medidas cabíveis, assim como contra caluniadores que tentam nos prejudicar", comentou. Antes, o presidenciável já havia se posicionado sobre o assunto, dizendo que lamentava os ocorridos, mas que não poderia controlar os casos .

De acordo com o levantamento da Dapp, os posicionamentos oficiais de ambos os candidatos mobilizaram o debate sobre a violência no site. Das cinco postagens de maior impacto no período, duas eram feitas por eles.

Histórico das redes sociais

Negros, mulheres e população LGBTI+ são os que mais registram medo nas redes durante período eleitoral
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Negros, mulheres e população LGBTI+ são os que mais registram medo nas redes durante período eleitoral


Apesar da grande repercussão dos casos de violência e homicídio, o pico de publicações entre o período pesquisado no estudo foi na primeira hora de análise, logo após o início da apuração dos votos para presidente.

Entre as 19h e 20h do dia 7 de outubro, a Daap contabilizou uma média de 3,2 mil tweets por minuto. Nesse momento, de acordo com o relatório, o tema predominante das postagens era o medo diante dos resultados que vinham aparecendo na contagem dos votos.

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Entre 7 de setembro e 7 de outubro, a Dapp encontrou uma média de 35,9 mil tweets por dia fazendo menção a agressões e casos de violência que eram associadas ao período eleitoral .


*Com informações da Agência Brasil

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