Big techs preocupam autoridades
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Big techs preocupam autoridades

A atuação de gigantes de tecnologia como Google, Facebook e Apple em serviços financeiros tem preocupado entidades regulatórias no mundo todo. O receio é que, dado o alcance e a quantidade de dados de clientes que esses grupos reúnem, eles tenham condições de concentrar o mercado e desestabilizar sistemas bancários globais.

Em um artigo publicado em agosto, autoridades do Banco de Compensações Internacionais (BIS), organização global de supervisão bancária, alertaram que bancos centrais e reguladores financeiros no mundo todo precisam urgentemente lidar com a crescente influência das chamadas big techs no setor financeiro.

A organização apontou como exemplo a China, onde duas grandes empresas de tecnologia de pagamentos concentram 94% das transações on-line. Em outros países, empresas de tecnologia também avançam no setor, inclusive emprestando dinheiro para pessoas físicas e pequenas empresas ou oferecendo seguros e gestão de patrimônio.

A moeda digital do Facebook, nomeada primeiro de Libra e agora chamada de Diem, é outra questão que vem levantando polêmicas. A criptomoeda do conglomerado liderado por Mark Zuckerberg foi revelada em 2018, mas sofre resistências de Washington desde então e não foi lançada ainda.

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Em agosto, o chefe da unidade de criptografia do Facebook, David Marcus, havia anunciado que a carteira digital Novi estaria pronta para ir ao mercado e poderia ser lançada até o fim deste ano. A ideia é que o Diem seja uma criptomoeda atrelada ao dólar, modelo conhecido como stablecoin, e que possa ser armazenada na Novi.

Recentemente, o jornal The Washington Post informou que executivos do Facebook têm se reunido com altos funcionários do governo de Joe Biden para tentar aplacar as preocupações em torno de seu projeto de criptomoeda, mas a ideia ainda sofre resistência do Departamento do Tesouro, que vê no plano uma ameaça à estabilidade do sistema financeiro global.

Embora a Diem seja formalmente independente, reguladores avaliam que sua associação com o Facebook aumenta esse risco porque o conglomerado, dono de empresas como WhatsApp e Instagram, tem a capacidade de levar seus produtos e serviços a bilhões de pessoas em todo o mundo.

Uma das formas de evitar a concentração dos serviços financeiros pelas big techs pode estar no avanço tecnológico dos sistemas financeiros dos países. No Brasil, por exemplo, o WhatsApp foi autorizado em junho pelo Banco Central a oferecer a todos os usuários o serviço de transferência de dinheiro por meio do próprio aplicativo de mensagens. No entanto, segundo dados da pesquisa Mensageria no Brasil, realizada pelo MobileTime/Opinion Box,  apenas 7% dos usuários de WhatsApp cadastraram um cartão de débito para utilizar a função.

No país do Pix, a novidade não pegou. O sistema de transferências instantâneas do BC foi lançado antes, em novembro de 2020, e caiu nas graças do brasileiro. É um dos principais meios de pagamento atuais, usado por 59% dos adultos, segundo o BC.

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