Jovens de escolas públicas têm acesso reduzido à internet
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Jovens de escolas públicas têm acesso reduzido à internet

A já consagrada desigualdade de acesso à internet no Brasil trouxe novos reflexos para a educação brasileira no ano passado. Segundo o IBGE, menos da metade (48,6%) dos estudantes entre 15 a 17 anos da rede pública tiveram acesso simultâneo a internet e computador contra 90,5% na rede privada no país em 2019, o que significa que os alunos entraram na pandemia com realidades bastante distintas.

Os dados fazem parte da pesquisa anual Síntese dos Indicadores Sociais, feita com dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar 2019 e divulgada nesta quinta-feira (2).

A pesquisa mostrou ainda, com base em dados do Inep e do Censo Escolar 2020, que as escolas chegaram a disponibilizar equipamentos como computador, notebook ou smartphones para uso dos alunos durante o ano letivo de 2020, mas o resultado foi aquém do necessário. Apenas 8,7% das escolas públicas ofertaram esses dispositivos, frente a 11,2% nas escolas privadas.

Betina Fresneda, pesquisadora do IBGE, explica que, para além das condições reais de vida dos estudantes, a inclusão digital influencia o estudo adequado à distância, sobretudo durante o período em que foi preciso o acompanhamento dos estudos de casa.

"Isso influencia a capacidade de estudo e reflete como as desigualdades estruturais entre os alunos, pelas suas características socioeconômicas, afetaram a capacidade de dedicação durante o período de suspensão das aulas presenciais", avalia Fresneda.

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Além da escassez de dispostivos tecnológicos para os estudantes, muitas escolas não conseguiram prover aulas síncronas com possibilidade de interação com os professores. Apenas 35,5% das escolas da rede pública promoveram aulas on-line frente 69,8% nas rede privada, segundo dados do Inep e do Censo Escolar 2020.

Quanto maior a renda, maior a frequência no estudo

A desigualdade fica ainda mais evidente entre aqueles com maiores rendimentos e acesso à rede privada de ensino quando se analisa a frequência diária semanal de estudo.

Na rede pública, um terço dos estudantes (33,8%) que fizeram alguma atividade pedagógica não mantiveram a frequência diária semanal de estudo. Na rede privada, esse percentual cai para 13,5%.

Na comparação por rendimento, os estudantes que faziam parte dos 20% mais pobres presentaram percentual de frequência diária de estudo duas vezes maior do que o grupo que pertencia aos 20% mais ricos.

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