Segunda turma da Formação em Gestão de IA na ESPM
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Segunda turma da Formação em Gestão de IA na ESPM

A newsletter que você está lendo se chama Resistência Humana, e o podcast que apresento, Inteligência Orgânica. Esses nomes não são por acaso. Há mais de 3 anos, mergulhei num buraco de coelho tecnológico que me deixou profundamente pessimista em relação ao nosso futuro como espécie. Isso alterou minha visão de mundo, causou um turbilhão na minha empresa e na minha atuação profissional. Inclusive, pelo menos desde o meio de 2024, acredito que tudo que produzi mais assustou as pessoas do que qualquer outra coisa.

Por um lado foi libertador ser alguém que alertava pro pior. E curto a originalidade artística de começar entrevistas sendo abertamente pessimista.

Mas, neste início de maio de 2026, preciso confessar o fim da minha desesperança. Tive uma semana daquelas que nos faz crer num futuro melhor.

Encerramos a segunda turma da Formação em Gestão de IA na ESPM, um curso que só agora consigo definir bem. Tenho orgulho de dizer que construímos um programa sólido e humano sobre o futuro com Inteligência Artificial. Muito além de prompts e experimentações com ferramentas que prometem produtividade e entregam burnout. Ali tá rolando uma verdadeira plantação de sementes de pensamento crítico.

Palestra na casa de ex-aluno da Formação em Gestão de IA na ESPM
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Palestra na casa de ex-aluno da Formação em Gestão de IA na ESPM


Além disso, fui convidado por um ex-aluno a dar uma palestra na casa dele para uma parte especial da família. Foi uma conversa sobre futuro para o futuro, literalmente. Estavam reunidos na sala dele primos da temida "geração Z". Jovens de 16 a 25 anos que fogem do estereótipo, pois a verdade é que, para a geração Z, não existe estereótipo que faça sentido. Eles cresceram em um mundo sem mainstream, ou seja, sem as marcas culturais que “homogeneízam” gerações. Não existe entre eles o programa de tv que "todo mundo" viu, a música que "todo mundo" ouviu, a roupa que "todo mundo" usava. A falta desses elementos cria essa percepção que ninguém entende e que todo mundo parece temer.

A certa altura, um dos meninos me fez a pergunta que sintetizou o impasse do momento. Disse que entendia o futuro que eu desenhava, o das soft skills e por aí vai. Só que o chefe dele não cobrava nada disso. Cobrava execução, conteúdo técnico, planilha lida e entregue. Era o que ele fazia o dia inteiro. Ficamos refletindo juntos sobre como ele havia captado, tão novo, o maior dilema contemporâneo: já temos clareza sobre o longo prazo, mas continuamos presos à urgência de um curto prazo que opera em um sistema econômico insustentável. 

Palestra na Bett Brasil
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Palestra na Bett Brasil


Por fim, tive a honra de fazer uma das palestras de encerramento da Bett Brasil, a maior feira de educação e negócios do país. Para essa convocação, joguei fora tudo que vinha falando e fui fundo em um exercício de futurismo. Pela primeira vez levei a sério a expressão “o celular é o novo cigarro”. 

Se as legislações antitabaco levaram cerca de 80 anos para reverter o que parecia ser uma epidemia cultural intransponível, quanto tempo vai demorar até nos livrarmos do vício em telas?  Será que dá para imaginar um futuro em que a imagem típica de um adolescente no nosso subconsciente não venha sempre acompanhada de um celular? Dá pra dizer que entrei oficialmente pra “igreja Jonathan Haidt”.

Essa semana me encheu de razões para acreditar que o futuro que eu imaginava ser impossível ainda pode rolar. E, quer saber? Não é tão difícil assim.

É inevitável: aqui jaz um pessimista.

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