
Eduardo Giannetti, compartilha no Inteligência Orgânica o seu "corpo a corpo" diário para resistir à tentação do scrolling e preservar o espaço necessário para a reflexão e a criação. Mergulhado no estudo de Guimarães Rosa, ele utiliza as quatro camadas de Grande Sertão: Veredas — do cenário à metafísica — para ilustrar que, embora o mundo atual pareça um sertão bruto e caótico, ainda existem "veredas" de iluminação e plenitude acessíveis a quem cultiva o essencial. Giannetti expressa preocupação com o poder de "imantação" das telas sobre os jovens, temendo que o contato humano real esteja sendo devorado por interações puramente eletrônicas e desprovidas de densidade.
O pensador analisa fenômenos globais como a queda drástica da natalidade e as "mortes por desespero", interpretando-os como sintomas de uma sociedade hipercompetitiva que reduziu a vida a uma busca exaustiva por sucesso financeiro e valor social. Ele defende que o cuidado com os filhos é uma das atividades mais preciosas da vida, apesar de ser frequentemente subestimada pelo modelo econômico atual. Giannetti encerra com uma nota de otimismo resiliente, citando a capacidade de regeneração da natureza e a "misteriosança" — a coragem de mirar o mistério — como bússolas para atravessarmos as crises climáticas e existenciais rumo a um futuro mais íntegro.
Para mergulhar nesta aula de filosofia e humanismo, assista ao vídeo completo dessa conversa no YouTube.