It Takes Two é o melhor jogo do ano
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It Takes Two é o melhor jogo do ano

Ao longo de 2021, o mundo dos videogames teve lançamentos de jogos excelentes, como It Takes Two, e estreias de games indie de altíssima qualidade, como Death's Door. Por outro lado, este último ano teve grandes fiascos, como GTA: The Trilogy, e crises nas empresas, incluindo escassez de chips semicondutores e casos de assédio denunciados por funcionárias. Na retrospectiva a seguir, relembre cinco fatos sobre o mercado de jogos que marcaram o ano de 2021.

It Takes Two e outros hits de sucesso de 2021

Para começar esta retrospectiva, vamos falar primeiro de coisas boas: os melhores jogos do ano. Como muitos games precisaram ser adiados devido a atrasos causados pela pandemia de Covid-19, 2021 não teve tantos lançamentos quanto os anos anteriores. Entre os títulos que ficaram prontos, porém, estão verdadeiros hits que agradaram tanto à crítica especializada quanto os jogadores.

It Takes Two, da Electronic Arts, é um dos grandes destaques deste ano, por exemplo. Com uma aventura totalmente cooperativa cheia de momentos emocionantes, o jogo faturou não só o título de Game of the Year , no The Game Awards, como também de Jogo do Ano, no Brazil Game Awards e no Hit Kill Awards do Tecnoblog.

Lançado lá no início do ano, em março, It Takes Two mostrou que certas fórmulas de gameplay, ainda que pareçam batidas à primeira vista, podem render bons momentos e situações que vão além da mera jogabilidade. Em nossa análise, consideramos o game "sensível, diferente, único e bonito", e ainda garantimos que vale muito a pena jogar essa obra de arte do estúdio Hazelight e do produtor Josef Fares.

Além de It Takes Two, outras dezenas de jogos excelentes merecem ser destacados entre os hits de 2021. Vale citar sucessos inéditos como Forza Horizon 5, Psychonauts 2, Deathloop, Ratchet & Clank: Em Uma Outra Dimensão, Monster Hunter Rise, Resident Evil Village, Metroid Dread, Hitman 3, Tales of Arise, Scarlet Nexus, Returnal e muitos outros títulos de alta qualidade.

Neste ano, certos jogos fizeram tanto sucesso que chegaram a complicar a vida das próprias desenvolvedoras, de certa forma. O MMORPG da Square Enix, Final Fantasy 14, viveu seus melhores momentos em 2021, batendo recordes cada vez maiores de jogadores conectados de forma simultânea pelo Steam, desde julho.

Esse sucesso, contudo, veio com um preço. Após o lançamento da expansão Endwalker, em dezembro, o game ficou tão popular que os servidores não aguentaram a carga de jogadores. Para amenizar os problemas de filas longas e erros de conexão, a desenvolvedora precisou suspender as vendas de Final Fantasy 14 até que a situação ficasse mais tranquila.

Os jogos independentes brilharam neste ano

Em 2021, os jogos de alto orçamento classificados como Triple A tiveram seu espaço — o que não foi uma surpresa, considerando os investimentos pesados em marketing. Por outro lado, os games indie conseguiram brilhar nos próprios holofotes ao se apoiarem muito mais na qualidade da jogabilidade e do enredo do que em pura divulgação.

Os estúdios independentes lançaram verdadeiras joias neste ano, como Death’s Door, Wolfstride, Inscryption, Loop Hero, Steel Assault, Tetragon e Ultra Age. Todos esses games valem muito a pena e são de um primor artístico sem igual.

Outros jogos independentes que se destacaram em 2021 foram produções de estúdios brasileiros. Além dos excelentes Wolfstride e Tetragon citados logo acima, ainda tivemos Unsighted, do Studio Pixel Punk, Dandy Ace, da Mad Mimic, Dodgeball Academia, da Pocket Trap, Kaze and the Wild Masks, da PixelHive e o DLC Senna Sempre para Horizon Chase, da Aquiris.

Nas premiações internacionais, o queridinho de todos foi Kena: Bridge of Spirits — jogo de estreia do estúdio Ember Lab, que costumava trabalhar com filmes e animações. Seu charme é, com certeza, o estilo de arte magnífico bastante parecido com produções saídas direto da Pixar, DreamWorks e Illumination. A jogabilidade, porém, deixou um pouco a desejar.

GTA: The Trilogy e os demais fiascos de 2021

Como até agora só falamos dos destaques positivos do ano, chegou a hora de listar os maiores fiascos de 2021. Depois do mico que foi o lançamento de Cyberpunk 2077 no final de 2020, era esperado que as desenvolvedoras usassem a CD Projekt Red como um exemplo ruim de planejamento e estratégia de negócio, mas parece que isso não aconteceu.

Logo em março, Balan Wonderland chegou quebrando muitas expectativas da comunidade. Por ser dirigido por Yuji Naka — famoso por ser o criador da franquia Sonic —, os jogadores esperavam uma verdadeira obra de arte revolucionária. Em vez disso, receberam um game genérico de plataforma com controles esquisitos, mecânicas tediosas e história incompleta.

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Alguns meses depois, em setembro, eFootball 2022 veio para arruinar a paz dos apaixonados por jogos de futebol. Logo de cara, os fãs da franquia se decepcionaram com os gráficos de baixíssima qualidade, a gameplay cheia de falhas, além de bugs visuais. Após o lançamento desastroso, a desenvolvedora Konami precisou pedir desculpas à comunidade e prometeu liberar atualizações com melhorias no futuro.

Nos momentos finais de 2021, mais dois fiascos surgiram. Um dos shooters mais aguardados do ano, Battlefield 2042 deixou muitos jogadores desapontados, em novembro. Após prometer muita ousadia, como mapas maiores e partidas com até 128 pessoas, o jogo de tiro da Electronic Arts entregou servidores instáveis, diversos bugs, problemas de balanceamento e ainda removeu recursos clássicos da franquia, como ambientes destrutíveis, placares e chat de voz.

Por fim, GTA: The Trilogy fechou 2021 como uma das maiores vergonhas do ano. Após ficar em desenvolvimento por dois anos, as remasterizações de GTA 3, Vice City e San Andreas não agradaram aos fãs da série. Os jogos estrearam com várias falhas técnicas, erros de digitação, texturas mal renderizadas e modelos de personagens deformados. Para controlar os danos, a Rockstar pediu desculpas, removeu os games das lojas do PC por um tempo e prometeu compensar os jogadores com títulos de graça.

A escassez de chips que fez os consoles sumirem

Mesmo após quase dois anos desde o descobrimento do novo coronavírus (Sars-Cov-2), a pandemia global ainda causa graves problemas em diversos setores, incluindo a indústria de eletrônicos. No caso do mercado de videogames, a Covid-19 afetou não só a produção de jogos pelos estúdios, como também dificultou a montagem de consoles.

Como ficou difícil fabricar e transportar componentes eletrônicos, como chips semicondutores, os consoles mais poderosos da nova geração — PS5 e Xbox Series X — quase se tornaram itens de colecionador de tão raros. Lançados em novembro de 2020, os dois aparelhos costumam aparecer nas lojas de forma esporádica e esgotam rapidamente.

Até mesmo a fabricação de Nintendo Switch precisou ser modificada pela escassez de chips. Segundo a fabricante, a produção do console teve que ser reduzida em 20% até 31 de março do ano que vem. Nem a Sony, nem a Microsoft, nem a Nintendo têm uma previsão exata de quando esse problema vai terminar. O chefe da Xbox, por exemplo, acredita que a escassez de chips deve continuar até 2023.

Olhando pelo lado "positivo", a crise tem afetado somente a fabricação de consoles topo de linha, cujos componentes tender a ser mais complexos. Quem estiver procurando um Xbox Series S para comprar deve conseguir encontrar o dispositivo com certa facilidade.

Escândalos de assédio em estúdios foram pauta

Para fechar a nossa retrospectiva de 2021, precisamos falar sobre os diversos escândalos de assédio em estúdios de videogame que vieram à tona nos últimos meses. Após passarem muitos anos escondendo casos de má conduta no ambiente de trabalho embaixo do tapete, empresas como Activision Blizzard e Ubisoft foram parar na Justiça.

O caso da Ubisoft surgiu primeiro, em julho, e serviu como estopim para novas denúncias. Já com histórico problemático relacionado a questões trabalhistas, a produtora foi acusada de praticar abusos, agora envolvendo a direção. Ex-funcionários da Ubisoft Montreal registraram queixas de assédio sexual contra profissionais de alto escalão da empresa, incluindo diretores do RH e até mesmo o CEO Yves Guillemot.

Trabalhadores de outra unidade da desenvolvedora — a Ubisoft Singapura — também denunciaram a empresa por assédio sexual e discriminação. Não se sabe os nomes citados nas queixas, mas a produtora começou a ser investigada por um órgão governamental, o qual teria ouvido relatos anônimos de mais de 20 funcionários.

Ainda em julho, o governo da Califórnia, nos EUA, abriu um processo contra a Activision Blizzard. Os documentos legais apresentavam acusações de assédio sexual e moral, especialmente contra funcionárias mulheres da empresa de games. Mais de 40 relatos foram anexados ao texto e, desde então, pouco tem sido feito pela companhia, ainda que com pressão do público e de funcionários, via protestos e passeatas.

Desde que o processo começou, vários executivos abandonaram a empresa ou foram afastados de seus cargos. Alguns exemplos são o então presidente da Blizzard, J. Allen Brack; Jesse McCree e Luis Barriga, designer chefe e diretor de Diablo 4, respectivamente; e Jonathan LeCraft, designer de World of Warcraft.

Após movimentações no processo, os funcionários da empresa passaram a exigir a renúncia do CEO Bobby Kotick, que teria não só ignorado as denúncias de assédio desde 2018, como também desrespeitado e ameaçado fisicamente suas próprias funcionárias. Como essa história é complexa e tem muitas reviravoltas, nós reunimos as informações mais importantes em uma reportagem especial sobre os casos de assédio na Activision Blizzard.

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