Castor americano
Wikimedia Commons/Laszlo Ilyes
Castor americano



Quase metade da população de Tumbler Ridge, cidade com cerca de 2.000 habitantes na Columbia Britânica, no Canadá , ficou sem acesso à internet por 36 horas neste fim de semana devido a danos aos cabos de fibra ótica que servem a região. Seria um incidente como outro qualquer se não fosse a causa da falha, que segundo a operadora Tellus é “exclusivamente canadense”: castores.

A falha começou às 4h (horário local) deste sábado e afetou 900 clientes da operadora. Ao investigar, sua equipe “localizou uma represa próxima e parece que os castores cavaram no subsolo ao longo do riacho para alcançar nosso cabo, que está enterrado a cerca de um metro de profundidade e protegido por um conduíte com 11 cm de espessura”. disse Liz Sauvé, porta-voz da empresa, em um comunicado publicado neste domingo (25) no site da emissora CBC.

“Os castores primeiro mastigaram o conduíte antes de mastigarem o cabo em vários locais”, completou. Não contentes, parecem ter usado uma fita plástica que normalmente cobre o conduíte, e é usada para alertar quem escavar o local, como “material” na construção de sua represa.

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Uma vez descoberta a causa do problema, equipes trouxeram técnicos e equipamento adicional para expor o cabo e determinar a extensão dos danos. Segundo o comunicado, as condições foram “desafiadoras” porque o solo acima do cabo está parcialmente congelado. O serviço só foi restaurado às 15h30 do domingo.

O castor norte-americano (Castor Canadensis) é o segundo maior roedor do mundo, perdendo apenas para a nossa capivara. Podendo chegar a 120 cm de comprimento e pesar 30 kg, eles têm poderosos dentes incisivos, de coloração alaranjada, nunca param de crescer e são usados para roer o tronco de árvores, derrubando-as.

Mas apesar de serem herbívoros, os castores não comem as árvores. Os troncos são arrastados para córregos, rios e lagos. Lá são empilhados para criar represas, onde os animais fazem suas tocas.

A natureza contra a Internet

Esta é a primeira vez que castores são culpados pela interrupção de um serviço de dados , mas outros animais também conspiram contra nosso sistema de telecomunicações. Por exemplo, há mais de 30 anos sabemos que tubarões atacam cabos submarinos no fundo dos oceanos.

O motivo nunca foi identificado com precisão. Além de fibras ópticas para transmissão de dados, tais cabos também transmitem energia em alta tensão para repetidores de sinal instalados ao longo do cabo. Uma teoria é que o campo magnético gerado pelo fluxo de energia pode confundir os tubarões, que usam eletroreceptores em suas cabeças chamados de “ampolas de lorenzini” para detectar suas presas.

Ou seja, acreditando que o cabo é “o que tem pra janta”, o tubarão dá-lhe uma bela mordida. Como consequência, empresas como o Google revestem seus cabos com “material similar ao kevlar”, fibra fina e leve que é usada em coletes à prova de balas, para protegê-los.

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