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Feira de eletrônicos realizada em Las Vegas também tem espaço para carros, que deram um passo além na Internet das Coisas e se conectam inclusive à casa do usuário pela rede

Não existem mais fronteiras para a tecnologia quando a maior feira de eletrônicos do mundo, a CES 2016 , é tomada também por carros semanas antes do Salão do Automóvel de Detroit, cidade norte-americana assim como Las Vegas. Não à toa o pavilhão norte do centro de convenções que anualmente abriga o evento foi tomado por estandes de montadoras e outras empresas do setor. Aparentemente, todo mundo tinha algum tipo de inovação que deixa o carro mais inteligente para mostrar. 

Carro conceito da Faraday Future é o batmóvel do futuro: FFZERO1
Emily Canto Nunes/iG
Carro conceito da Faraday Future é o batmóvel do futuro: FFZERO1


A grande supresa talvez tenha sido a Faraday Future, uma empresa até em desconhecida do grande público que claramente deseja concorrer com a Tesla e apresentou seu carro conceito: o FFZERO1 . Mais semelhante a um Batmóvel do que a um veículo comum, o protótipo da empresa parte norte-americana e parte chinesa parece mesmo vindo do futuro, como o nome sugero: além de ser elétrico, dará ao condutor acesso a imagens ao vivo e visualização de dados em tempo real. E para encontrar informações no seu painel – sensível ao toque, é claro – o usuário só precisa fazer os mesmos gestos que nos smartphones: tocar, passar com o dedo e ampliar.

Além disso, o FFZERO1 tem no lugar dos espelhos retrovisores latereais smartphones que funcionam como interface entre o carro e o usuário, seja de dentro ou de fora do veículo. A Faraday Future também garante que seu carro seria autônomo, capaz de encontrar seu dono em alguma rua, por exemplo. Conceitos à parte, de novo mesmo só a conexão do carro com outros aparelhos da Internet das Coisas como a casa. É claro que as tecnologias de carros elétricos, autônomos também evoluíram, mas as novidades neste caso não são tão visíveis como, por exemplo, a evolução dos sistemas operacionais dos veículos, inovações mais antigas no mercado e que agora estão ganhando mais força e concorrência com a chegada do Car Play, da Apple, e Android Auto, do Google. 

A Ford é um bom exemplo de fabricante que trouxe importantes contribuições para a evolução do mercado. Primeiro porque o SmartDeviceLink, software aberto usado no Ford SYNC AppLink para o acesso a aplicativos de smarpthones por comando de voz será encontrado também nos carros da Toyota. Segundo a Ford, outras marcas, como PSA Peugeot Citroen, Honda, Subaru e Mazda também estudam o seu uso, assim como fornecedores como a QNX Software Systems e UIEvolution. Essa adoção é importante para o setor, especialmente em um momento em que as gigantes da tecnologia, Apple e Google, começam a entrar forte no segmento.

BUDD-e: a nova Kombi é elétrica e conectada
Emily Canto Nunes/iG
BUDD-e: a nova Kombi é elétrica e conectada

Outra novidade é a integração dos carros com as casas inteligentes, com o acesso do sistema Ford SYNC a dispositivos domésticos de automação como Amazon Echo e Wink. Por enquanto, só Estados Unidos, é claro. Através dos comandos de voz do veículo, será possível controlar luzes, termostatos, sistemas de segurança, TV e outros equipamentos de casa pela internet. Isso inclui, por exemplo, programar a porta da garagem para abrir quando o carro estiver próximo, junto com o acendimento de luzes. Essa também é uma das novidades apresentadas pela Volkswagem com o BUDD-e, uma versão moderna da falecida Kombi.

Uma das grandes atrações do pavilhão das montadoras, o BUDD-e é baseado em uma nova Plataforma Elétrica Modular da empresa e é capaz de se conectar à casa para, por exemplo, ligar o ar-condicionado antes que o usuário efetivamente chegue. Além disso, o BUDD-e é equipado com a nova geração de infotainment – sistema de informação e entretenimento –  com um novo conceito que inclui controle por gestos e telas maiores.

Essa nova versão da plataforma também está presente no e-Golf Touch. O e-Golf Touch não apenas traz um sistema de controle por gestos, mas também apresenta uma versão evoluída do Modular Infotainment Toolkit (MIB), com uma tela de 9,2 polegadas. Sensível ao toque, o display agrega os mundos operacionais dos smartphones e automóveis como fazem os sistemas concorrentes de Apple e Google.

Autômatos e elétricos

Na CES 2016, as montadoras também apresentaram novidades em termos de automação, isto é, de carros que se autoconduzem, e no campo dos veículos elétricos. Interpretação moderna da primeira Volkswagen Kombi, o BUDD-e também é elétrico e um de seus pontos altos é justamente o ciclo de carga. É possível carregar a bateria até 80% de sua capacidade em cerca de apenas 30 minutos segundo a fabricante.

Já a Toyota foi além e mostrou o Toyota FCV Plus, um veículo conceito que demonstra o potencial da tecnologia de célula de hidrogénio para além do uso na indústria automotiva. Com essa inovação, a empresa seria capaz de produzir eletricidade a partir do hidrogênio armazenado fora do veículo, apresentando-se, assim, como uma fonte estável de energia elétrica.

Também no estande da Toyota era possível ver um display de inteligência artificial e de aprendizagem profunda, ao qual modelos Prius em escala estão conectados e aprendem e compartilham uns com os outros em tempo real como forma de criar um ambiente de condução segura. Em um palco do estande, carros em miniaturas circulavam em um pequeno espaço sem nunca se bater graças a essa troca de informação pela internet.

Já a Nvidia deu passo além e mostrou a nova plataforma DRIVE PX 2, a qual permite que os carros percebam o ambiente em que estão e circulem de forma autônoma. O objetivo da Nvidia com essa plataforma é permitir que o setor automobilístico use a inteligência artificial para lidar com as complexidades inerentes à condução autônoma, um dos grandes desafios ao lado das legislações. A solução usa as GPUs da NVIDIA para processar o aprendizado profundo, chamado deep learning, e oferecer uma percepção em 360 graus do ambiente ao redor do carro, o que serve para determinar precisamente onde o carro está e computar uma trajetória segura e confortável, entre outras aplicações.

Quem sabe, no futuro, o carro elétrico conectado à casa possa acender as luzes da garagem enquanto ele mesma estaciona e você vê Netflix? 

*A jornalista viajou a convite da Samsung.

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