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Plataformas possuem diferenciais como podcasts, integração com outros aplicativos e ambiente exclusivo para as crianças

Spotify tem cerca de 75 milhões de usuários, sendo 30 milhões de assinantes de planos premium
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Spotify tem cerca de 75 milhões de usuários, sendo 30 milhões de assinantes de planos premium

Verdadeiro presente da indústria fonográfica, e não mais seu futuro, o streaming de música recebe a atenção de algumas das principais empresas de tecnologia, como Google e Apple. Apesar de contarem com lojas virtuais nas quais os usuários podem comprar músicas, elas lançaram seus próprios serviços de streaming no Brasil em 2014 e 2015, respectivamente.

De tão promissor, o modelo passou a ser utilizado até mesmo por empresas que ofereciam canções de graça. É o caso do Napster. Criada em 1999, a plataforma foi alvo de processos de gravadoras que a acusavam de incentivar a pirataria. Na época, o serviço permitia aos usuários baixar arquivos gratuitamente. Em 2013, o Napster, presente em vários outros países, foi relançado no Brasil como um serviço pago.

O primeiro serviço de streaming legal foi o Deezer. A plataforma possui plano grátis, com anúncios entre as músicas, e premium, com uma assinatura mensal e sem publicidade. Com cerca de seis milhões de usuários pagando pelo serviço, o Deezer está longe de ser líder do segmento. Quem ocupa a primeira colocação é o Spotify, que também se beneficiou do acesso livre para quem não é assinante e, atualmente, conta com cerca de 75 milhões de usuários ativos.

No Brasil, além de Napster, Deezer e Spotify, também estão disponíveis para os usuários o Google Play Música e o Apple Music. Como não são poucas as opções, o iG Tecnologia fez um breve comparativo para te ajudar a escolher o melhor para você.

Recursos

As plataformas são parecidas em relação aos recursos: permitem criar playlists ou ouvir seleções criadas pelos editores, por exemplo. No geral, a página de cada artista exibe uma curta biografia, suas músicas mais tocadas e uma lista com artistas relacionados. Para economizar o plano de dados, o assinante pode escolher o modo offline e armazenar as músicas da biblioteca no dispositivo. Se o usuário cancelar a assinatura, os arquivos são removidos do aparelho, já que não ficam armazenados no dispositivo como arquivos de música convencionais, tipo MP3. 

Pais podem adicionar artistas que não estejam disponíveis na área infantil do Napster
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Pais podem adicionar artistas que não estejam disponíveis na área infantil do Napster

Cada plataforma tem recursos próprios para os usuários. O Napster  possui um ambiente dedicado exclusivamente a um catálogo de canções infantis. Se os pais quiserem, podem incluir artistas que não estejam previamente disponíveis na área. A seção também conta com playlists voltadas para o público infantil criadas por editores do Napster. O serviço ainda oferece a função para os usuários ouvirem música enquanto dirigem. O recurso simplifica o visual do aplicativo para facilitar a troca de faixas.

Spotify possui uma integração com o site Genius para apresentar detalhes sobre as letras de músicas. Disponível apenas para iPhone, o recurso apresenta curiosidades sobre os principais versos da música. Outro recurso interessante da plataforma é o Running, que acompanha o usuário durante uma corrida de acordo com a sua passada. A ferramenta reproduz músicas conforme o ritmo do usuário no exercício.

Um dos diferenciais do Deezer é a oferta de podcasts. O Spotify possui algo parecido para ouvintes de outros países, mas o Deezer foi o primeiro a oferecer o recurso para usuários brasileiros. Apesar de não funcionar em conjunto com as músicas, a plataforma acaba com a necessidade de um segundo serviço dedicado aos podcasts.

Com o Connect, o Apple Music aposta na conexão entre fãs e artistas por meio de conteúdos exclusivos como fotos de bastidores e gravações de um novo clipe. O recurso funciona como uma rede social, onde os fãs podem curtir, comentar ou compartilhar as publicações no Facebook ou Twitter. Além de reproduzir faixas a qualquer momento, o assinante do serviço pode ouvir a rádios ao vivo voltadas para dezenas de gêneros musicais. A principal estação é a Beats 1, disponível para todos os usuários. As demais rádios só estão disponíveis no plano premium. 

De acordo com a empresa, todo artista pode publicar conteúdos exclusivos no Apple Connect
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De acordo com a empresa, todo artista pode publicar conteúdos exclusivos no Apple Connect

E se você for um usuário insatisfeito com o iTunes pode migrar suas músicas para o Google Play Música . O serviço possui uma ferramenta que permite integrar até 50 mil músicas do iTunes ou da sua biblioteca pessoal com o serviço. Ou seja, suas músicas, mesmo aquelas obscuras, na qualidade que você possui, acessíveis na nuvem.

Valores

As atuais ofertas permitem ao usuário testar as plataformas antes de iniciar a assinatura. Os testes gratuitos do Deezer e do Google Play Música oferecem 30 dias grátis. O plano premium do Spotify fica disponível gratuitamente durante 60 dias. O mesmo tempo vale para o Napster , entretanto, a plataforma cobra R$ 1 pelo período. O Apple Music é o que possui o maior tempo de avaliação grátis: 90 dias.

Depois desse período, os planos individuais padrão giram em torno de R$ 14,90 por mês, com exceção do Apple Music que pode ser adquirido por US$ 7,99 mensais. Nesse quesito, o serviço de streaming da Apple sai em desvantagem por ser cobrado em dólar. Com isso, o preço real do plano é alterado de acordo com as variações do câmbio. Atualmente, com o dólar na casa dos R$ 3,70, o usuário pagaria cerca de R$ 29.

Em relação aos planos familiares, o Google Play Música , que permite cadastrar até seis usuários, é mais vantajoso que seus concorrentes, por R$ 22,90 por mês. Em contrapartida, o Spotify é o menos recomendado para incluir parentes. A plataforma cobra um valor adicional para cada familiar, podendo chegar a R$ 44,90 mensais para o mesmo número de parentes.

Compatibilidade

Disponível para computadores, smartphones, tablets, TV inteligentes, aparelhos de som e até sistemas de carro, o Deezer é o que possui mais compatibilidade com outras plataformas. De acordo com o site, a plataforma está presente em mais de 40 dispositivos diferentes.

O Spotify está presente em dispositivos Android, iOS, Windows Phone e a versão web. O serviço também tem versões próprias para Windows, Mac, carros inteligentes e PlayStation 4. Por meio de uma integração com o videogame, o assinante da plataforma pode ouvir suas músicas em segundo plano enquanto joga.

O Napster  é compatível com diversos sistemas. Além da versão web, a plataforma tem versões para dispositivos Android, iOS e Windows Phone e programas para Mac, Windows 7 e Windows 8.

Google Play Música, Spotify, Deezer e Napster têm recurso para conectar aparelhos com a TV
Emily Canto Nunes/iG São Paulo
Google Play Música, Spotify, Deezer e Napster têm recurso para conectar aparelhos com a TV

Por outro lado, Google Play Música e Apple Music são os que possuem menos compatibilidade com sistemas. O serviços estão disponível apenas para Android, iOS e em uma versão web.

O usuário também pode ouvir as músicas tocadas no serviço de streaming com o som da telvisão por meio do Chromecast. Google Play MúsicaSpotify , Deezer e Napster têm um recurso nativo que conecta dispositivos móveis com o aparelho ligado a TV. Se estiver ouvindo pelo computador, o usuário pode se conectar à televisão por meio da extensão Google Cast, que pode ser instalada no navegador Chrome. O Apple Music não oferece esse recurso, mas tem versão para Apple TV.

Consumo de dados

O Napster é o que menos consome dados nos dispositivos móveis para reproduzir as músicas por usar a opção AAC+ 64 kbps (quilobits por segundo). De acordo com a empresa, o formato foi o escolhido porque tem qualidade equivalente a arquivos MP3 de 128 kbps, mas precisa de metade da banda. O app da plataforma ainda oferece músicas no formato AAC de 192 kbps e 320 kbps. O  Apple Music  também trabalha com arquivos AAC, mas com taxa de 256 kbps.

Os demais serviços alcançam os mesmos 320 kbps do Napster em seus arquivos, mas utilizam outras extensões. O Spotify , por exemplo, utiliza o formato Ogg Vorbis. O Google Play Música trabalha com arquivos MP3.

Em relação à qualidade, os tipos de arquivo são bem parecidos. Segundo Fabricio Tamusiunas, gerente de projetos do NIC.br, a maioria dos usuários não percebe as diferenças entre os formatos usados. Entretanto, "os formatos AAC e OGG oferecem uma qualidade similar, sendo mais eficientes que o MP3 quando usados no mesmo bitrate [ou seja na mesma taxa de bits por segundo]".

Para Tamusiunas, a escolha por um formato dependerá do dispositivo utilizado. "Quando um usuário está na rua, caminhando com um fone de ouvido simples, ele não consegue tirar proveito de bitrates mais altos. Por sua vez, quando em casa, escutando o áudio em um Home Theater, bitrates maiores podem fazer uma diferença significativa".

Suporte técnico

Para ajudar o usuário, as plataformas possuem seções com as perguntas frequentes. Disponível em português, o suporte do Spotify é o mais detalhado. A plataforma oferece informações desde o momento de instalação da plataforma até dúvidas sobre pagamentos. Em menor escala, os suportes de Deezer e Napster têm informações sobre as principais dúvidas dos usuários, que ainda podem entrar em contato com o serviço por meio de solicitações. As páginas de suporte das plataformas do Google e da Apple são as que possuem menos informações para o usuário e apresentam informações básicas.

Catálogo

As plataformas com os maiores acervos são Deezer e Napster , com 40 milhões de músicas cada. Spotify e Apple Music têm cerca de 30 milhões de músicas em seus catálogos. O Google Play Música fica no meio do caminho, com aproximadamente 35 milhões de músicas. Apesar da diferença, será difícil encontrar artistas conhecidos que não estejam nas plataformas. Em uma rápida pesquisa, foi possível encontrar os artistas com músicas no topo das paradas em todas as plataformas.

Músicas dos Beatles só chegaram aos serviços de streaming em 2015
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Músicas dos Beatles só chegaram aos serviços de streaming em 2015

Por uma falta de acordo em relação aos direitos autorais, o repertório dos Beatles era um dos poucos que não estavam em serviços de streaming. Até dezembro de 2015, os usuários das principais plataformas não tinham acesso ao acervo da banda. Atualmente, os fãs podem ouvir treze álbuns de estúdio e quatro coletâneas.

No lançamento do álbum 25, a cantora Adele decidiu não disponibilizar as músicas em serviços de streaming. Das faixas do álbum, apenas o single Hello está disponível aos usuários. Em entrevista a revista "Time", Adele disse não ser fã da modalidade. "Acho streaming um pouco descartável. Eu acredito que a música deve ser um evento", comentou.   

Conclusão

Em geral, os serviços são bastante nivelados. A escolha do usuário dependerá dos recursos próprios de cada plataforma.  Deezer e Spotify se mostram as mais adequadas para as expectativas do usuário brasileiro. Além da avaliação do plano premium, as plataformas permitem ouvir música de graça por tempo ilimitado com algumas propagandas entre as faixas. Enquanto o Deezer leva vantagem por ser compatível com praticamente todo aparelho e pelos podcasts, o Spotify se destaca pelas integrações com sites como o Genius e modos de utilização diferenciados como o Running.

Com o ambiente para o público infantil e o modo carro, o  Napster também é uma boa opção. De acordo com a plataforma, a qualidade do áudio em dispositivos móveis é similiar aos concorrentes, mas o consumo de dados é menor. Esta diferença pode ser fundamental no momento de decisão do usuário que tem um franquia pequena. 

Mais novos no mercado, os serviços de streaming do Google e da Apple ainda não podem ser considerados como as melhores opções. Um dos motivos é o número baixo de versões para outros dispositivos. Além da versão web, o Google Play Música oferece somente aplicativos para Android e iOS. Os usuários de Windows Phone precisam utilizar apps alternativos. Por outro lado, o Google Play Música é o único que permite que o usuário suba suas próprias músicas para a nuvem.

Para além dos sistemas operacionais, o  Apple Music está disponível Apple Watch, Apple TV e para computadores via iTunes, ou seja, todo o ecossistema. A preferência pelos streamings próprios da plataforma – como no caso do Google Play Música do Android e o Apple Music no iOS e OS X – pode ser um ponto positivo, pois os serviços seguem o mesmo padrão dos reprodutores de música nativos e o usuário não tem muita dificuldade para se adaptar, pois a interface é semelhante.

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