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Pesquisa apontou que mais da metade dos brasileiros tem internet, mas que os pobres ainda são os menos conectados

Estadão Conteúdo

O uso da internet mostrou relação direta com escolarização ocupação e tipo de profissão
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O uso da internet mostrou relação direta com escolarização ocupação e tipo de profissão

O suplemento de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2014, mostrou que, pela primeira vez, o acesso à internet via telefone celular nos domicílios brasileiros ultrapassou o acesso via microcomputador. De 2013 para 2014, entre os domicílios que acessaram a internet (inclusive os que utilizaram mais de uma forma de acesso), o percentual dos que o fizeram por microcomputador recuou de 88,4% para 76,6%, enquanto a proporção dos domicílios que acessavam a internet por celular saltou de 53,6% para 80,4%

Acesso à internet sem microcomputador cresceu 155,6% de 2013 para 2014
De 2013 para 2014, a proporção dos que acessaram a internet por equipamentos eletrônicos diferentes do microcomputador saltou de 4,2% para 10,5% das pessoas de 10 anos ou mais de idade. Foi um crescimento de 155,6% (ou mais 11,2 milhões de pessoas). No mesmo período, diminuiu de 45,3% para 43,9% a proporção de pessoas de 10 anos ou mais de idade que utilizam microcomputador para acessar a internet, assim como o seu número absoluto: de 78,3 milhões para 76,9 milhões de pessoas.

Em 2014, cerca de 95,4 milhões de pessoas com 10 anos ou mais de idade (54,4% dessa população) utilizaram a internet pelo menos uma vez nos 90 dias anteriores à entrevista da PNAD. Houve um aumento de 5,0 pontos percentuais em relação a 2013 (49,4%).

Em 2014, o acesso à internet cresceu nas cinco regiões, mas graças ao uso de equipamentos diferentes do microcomputador, pois a utilização deste meio recuou em todas elas.

Pobres permanecem menos conectados
A pesquisa também mostrou que o acesso à internet alcançou pela primeira vez mais da metade da população do País em 2014: 95,4 milhões de brasileiros com 10 ou mais anos de idade navegaram na rede em 2014. Mas o avanço ainda foi insuficiente para eliminar as diferenças de acesso entre as faixas de renda. Os pobres permanecem menos conectados.

Os dados são do Suplemento de Tecnologias de Informação e Comunicação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2014, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O acesso à internet aumenta conforme a faixa de renda do cidadão. Entre os que possuem renda domiciliar mensal per capita de até ¼ de salário mínimo, apenas 28,8% têm acesso à rede. Embora tenha avançado 4,9 pontos porcentuais no período de apenas um ano, quando apenas 23,9% desse contingente acessava a rede, o porcentual ainda é muito inferior ao total de pessoas que acessam a internet na faixa com renda superior a dez salários mínimos: 91,5%.

Em 2014, 54,4% da população com 10 anos ou mais de idade utilizaram a internet pelo menos uma vez nos 90 dias que antecederam a entrevista para a pesquisa. O resultado representa um aumento de 5,0 pontos porcentuais em relação ao ano anterior.

Segundo o IBGE, quanto mais jovem, maior o uso da internet. O pico ocorre no grupo de 15 a 17 anos, com 81,8% dessa população conectada, e vai declinando com o avanço da faixa etária. Na faixa mais avançada, com mais de 60 anos, apenas 14,9% dos indivíduos acessam a internet. No entanto, o País tem mais idosos conectados. Em 2013, apenas 12,6% deles navegavam na rede.

"Os jovens utilizam mais a internet, mas o acesso cresceu em todos os grupos de idade", ressaltou Helena Oliveira Monteiro, técnica da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE.

O uso da internet mostrou ainda relação direta com escolarização ocupação e tipo de profissão. Quanto mais escolarizado, maior o acesso à rede. No grupo com 15 anos ou mais de estudo: a conectividade chegou a 92,1% dos indivíduos. No grupo que possui até um ano apenas de estudo, somente 5,2% acessam a internet.

Em 2014, mais da metade (59,2%) das pessoas ocupadas usava a internet, enquanto essa proporção entre as não ocupadas era de 48,2%. Mas ambos os grupos tiveram aumento em relação a 2013: 5 4 e 4,3 pontos porcentuais, respectivamente.

Todos os grupamentos ocupacionais também registraram uma proporção maior de pessoas com acesso à rede em relação a 2013. Os integrantes das Forças Armadas e auxiliares registraram a maior proporção de pessoas que utilizavam a internet (94,9%), seguidos pelos profissionais das ciências e das artes (93,7%), trabalhadores dos serviços administrativos (89,3%), técnicos de nível médio (87,1%) e dirigentes em geral (86,1%). Os únicos grupamentos com proporção de conectados inferior a 50% foram os trabalhadores dos serviços (49,7%) e os trabalhadores agrícolas (13,8%).

Os trabalhadores com menor alcance à internet foram os que estavam ocupados nas atividades Agrícola (com apenas 14,5% deles com acesso à rede), Serviços domésticos (35,7%) e Construção (41 8%). Apesar do resultado, os empregados dos Serviços domésticos tiveram o maior aumento em relação ao ano anterior, com expansão de 7,4 pontos porcentuais no total de conectados.

O avanço na conectividade em geral foi impulsionado pelo crescimento no porcentual da população com 10 anos ou mais de idade que tinha telefone celular para uso pessoal: 136,6 milhões de pessoas, o equivalente a 77,9% das pessoas nessa faixa etária. Em relação a 2013, esse contingente aumentou 4,9%.

Em 2014, pela primeira vez, mais da metade (52,5%) da população rural com 10 anos ou mais de idade tinha celular. Nas áreas urbanas, entretanto, o porcentual chegou a 82,3%.

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