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Apesar dos pontos positivos, alguns usuários ainda não sabem como funciona uma certificação digital; identificação oferece economia e reduz a burocracia

Brasil Econômico

Cada vez mais comum entre os brasileiros, o certificado digital oferece uma série de vantagens em relação à economia de tempo e dinheiro e permite reduzir a burocracia. Apesar dos pontos positivos muitos ainda não sabem como funciona uma certificação deste tipo. Trata-se de uma identidade virtual que utiliza criptografia e permite saber, de froma segura e inequívoca, quem foi o autor de uma determinada mensagem ou de uma transação feita em meios eletrônicos.

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Thinkstock/Getty Images
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Por trás das ferramentas que agilizam processos pela internet e faz com que transações fiquem mais seguras e baratas está a criptografia . "O certificado digital é gerado e assinado por uma Autoridade Certificadora, que segue regras estabelecidas pelo Comitê Gestor da ICP-Brasil [Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira] e associa cada titula a um par de chaves criptográficas", diz Mauricio Balassiano, diretor de certificação digital da Serasa Experian. E o número de usuários destas ferramentas é imenso.

Segundo levantamento do órgão fiscalizador e regulador do setor de certificação digital, ITI-Brasil (Instituto Nacional de Tecnologia da Informação), nos dois primeiros meses de 2017, houve um aumento na emissão de certificados. Em janeiro, foram 276,7 mil novas identificações, contra 220,8 mil registrados no mesmo período de 2016. Em fevereiro, registrou-se 266,5 mil registros contra 243,3 mil no ano anterior. Para Antonio Sérgio Cangiano, diretor-executivo da Associação Nacional de Certificação Digital (ANCD).

"Em 2016, em relação a 2015, fechamos praticamente estáveis, por causa da crise econômica e política. Agora verificamos que aos poucos vamos retomando o ritmo, com quase 80 mil novas emissões de certificados digitais apenas nos dois primeiros meses do ano", analisa Cangiano. O executivo explica que, em janeiro, empresas com mais de três funcionários passaram a cumprir suas obrigaçnoes fiscais com o governo a partir de um certificado.

"Isso, evidentemente, explica boa parte do aumento registrado. Agregado a esse fato, temos aumentos paulatinos no uso de portais de assinaturas, que fornecem facilidades de um processo eletrônico com documentos assinados com certificado", explica. "É difícil, portanto, saber o que é crescimento real, mas os dados dos dois primeiros meses são bastante animadores para toda a nossa indústria". Para ajudar os usuários que têm dúvidas sobre criptografia e certificado digital, separamos algumas perguntas sobre o assunto. Confira:

1) O que é criptografia?

Criptografia é uma forma sistemática de transformar uma determinada informação para torná-la um texto ou uma mensagem ilegível para aqueles que não podem vê-la. Essa codificação está presente em diversas plataformas digitais, como o programa de chamadas de voz Skype e o aplicativo de mensagens WhatsApp. No segundo caso, por exemplo, o sistema utiliza algo que chamam de "criptografia de ponta a ponta".

Neste modelo, as informações são embaralhadas ao deixar o telefone do autor da mensagens e só podem ser decodificadas no telefone do destinatário. "No certificado digital, essa codificação é executada por um programa de computador que realiza um conjunto de operações matemáticas, inserindo uma chave secreta na mensagem", explica Balassiano.

2) Como o certificado digital utiliza a criptografia?

Ao utilizar este tipo de segurança, o emissor envia um texto cifrado que terá de ser reprocessado novamente para que o receptor consiga acessar a informação. Esse segundo processamento ocorre somente se o destinatário tiver a chave correta para decodificar a mensagem. "Na prática, assinatura digital, por meio da criptografia, garante a integridade e a comprovação da autoria do documento", explica Balassiano.

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3) Qual o principal benefício da assinatura digital?

"Todo mundo quer ganhar mais eficiência, fazer comunicação remota, reduzir custos", diz Balassiano. A contrapartida, porém, é que quanto menor o investimento em segurança, maior a probabilidade do surgimento de vulnerabilidades que exigem a identificação dos cliente e dos funcionários. Segundo o especialista, a identificação segura e com validade jurídica, conferida pela certificação digital, protege os dados pessoais e estimula a transformação digital nos mais diferentes setores da economia, contribuindo para a transparência, eficiência, além de permitir menos burocracia.

4) Em que setores a certificação digital é mais usada atualmente?

A certificação já é amplamente adotada por aplicações do setor público e também no judiciário, rendendo a eles uma série de avanços. Balassiano afirma que os benefícios da transformação digital, com suporte jurídico, já estão sendo identificados também por outros setores importantes da economia, entre eles, o setor de saúde, financeiro e de serviços.           

5) Que tipo de informações um certificado digital pode carregar?

As principais informações que um certificado carrega são chave do titular, nome e endereço de e-mail, período de validade do certificado, nome da Autoridade Certificadora que emitiu o documento, além do número de série e da assinatura digital da empresa responsável pelo certificado.

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6) O que são tokens e smart cards?

Tokens e smart cards são dispositivos portáteis que servem como mídias armazenadoras de chaves. O proprietário de uma certificação pode consultar suas chaves por meio do que está salvo nos chips dos equipamentos. O acesso às informações é feito por meio de uma senha pessoal, determinada pelo titular. O  smart card é uma espécie de cartão magnético e depende de um aparelho leitor para funcionar. Já o  token funciona como um pen drive que pode ser inserido diretamente na entrada USB do dispositivo do usuário.

7) Que cuidados devo tomar ao utilizar um certificado digital?

"Primeiramente, lembre-se que o certificado digital representa a sua 'identidade' no mundo virtual", alerta Balassiano. Por isso, se você não seguir recomendações simples, como não compartilhar a senha, poderá permitir que outra pessoa utilize essa identificação para fechar negócios ou realizar transações bancárias, por exemplo, sem a sua autorização.

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Outra recomendação é a de usar uma senha longa, que intercale letras e números. Apesar da criptografia, é essencial cadastrar dados que dificultem a ação de criminosos. Alguns programas podem ajudar na tarefa de criar uma senha mais segura, sem que você precise usar dados pessoais, como nome de cônjuge ou de filhos, datas de aniversários dos familiares, endereços, telefones e outras informações que alguém pode utilizar para tentar ter acesso ao seu certificado digital.

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