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Caso a versão seja oficialmente lançada, assuntos como "democracia", "religião" e "sexo" serão barradas da primeira página do site de busca

Não há informações dizendo se a versão censurada do Google terá versão para desktop
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Não há informações dizendo se a versão censurada do Google terá versão para desktop

Ter acesso à internet hoje é quase sinônimo de ‘dar um Google’. Todo internauta tem algo a buscar durante o dia, seja para saber a temperatura ou para pesquisar sobre determinado assunto. Mas, o hábito de procurar saber mais sobre um tema pode se tornar restrito, em breve, na China. Nessa quarta-feira (1), o portal internacional The Intercept revelou que a  versão censurada do Google está a caminho.

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Segundo o site, o projeto, batizado de Dragonfly (libélula, na tradução para o português), deve ser lançado na China seguindo as leis rígidas do país oriental. Com isso, sites e termos de pesquisa relacionados a direitos humanos, democracia, religião e protestos pacíficos serão barrados pela versão censurada do Google .

Ainda de acordo com os documentos e as fontes consultadas pelo The Intercept, o “ Google censurado ” vem sendo construído desde o primeiro semestre do ano passado e funcionará apenas em dispositivos Android. A previsão é de que o app seja lançado daqui nove meses, no máximo.

Atualmente, o governo comunista da China já proíbe informações e plataformas online consideradas impróprias para a população.

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Como será o “Google censurado”?

Boa parte da versão censurada do Google vem  sendo construída na sede da empresa, nos EUA
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Boa parte da versão censurada do Google vem sendo construída na sede da empresa, nos EUA

Segundo os documentos “confidenciais do Google”, supostamente conferidos pelo The Intercept , assim que um usuário ‘der um Google’, os sites banidos serão cortados da primeira página. Entretanto, um “aviso de isenção de responsabilidade” aparecerá quando houver resultados de pesquisa retirados do ar por quesitos legais. Entre os sites que seriam banidos  está a Wikipédia, enciclopédia online colaborativa.

Uma fonte, que não quis se identificar, revelou ao site internacional que o Dragonfly ficou restrito a algumas centenas de pessoas e que o "Google não está se preocupando eticamente ou moralmente sobre o seu papel na censura".  A fonte ainda acrescentou temer que o projeto se torne um modelo para outros países.

Entrevistado pelo portal, o pesquisador do grupo de direitos humanos "Anistia Internacional" em Hong Kong, Patrick Poon, declarou que o aplicativo em desenvolvimento coloca em jogo a liberdade de informação e a liberdade da internet do mundo. “O maior mecanismo de busca do mundo obedecer à censura da China é uma vitória do governo chinês. Sinaliza que ninguém mais se preocupará em desafiar a censura”, pontuou.

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Versão censurada dará liberdade ao Google

Segundo o portal, a versão censurada do Google já foi demonstrada para o governo chinês
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Segundo o portal, a versão censurada do Google já foi demonstrada para o governo chinês

O novo passo do Google, na verdade, não é tão novo assim. Entre 2006 e 2010, o site de busca ficou no ar ao obedecer as restrições da China. 

Porém, fortes críticas dos Estados Unidos frente à versão, que chegou a classificar o site como "funcionário do governo chinês",  fizeram com que a empresa tirasse a versão censurada do Google do ar, em 2010, mas ela deve retornar no próximo ano.

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