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Usuários suspensos disparavam "spam ou desinformação", segundo empresa; Flávio Bolsonaro diz que sua conta foi reativada, mas reclama de "censura"

WhatsApp virou centro das atenções na disputa eleitoral após denúncia de campanha irregular anti-PT
Pixabay/Creative Commons
WhatsApp virou centro das atenções na disputa eleitoral após denúncia de campanha irregular anti-PT

O WhatsApp anunciou que, somente na última semana, foram suspensas as contas de ao menos 100 mil usuários que teriam disseminado notícias falsas, spams (mensagens automáticas) e conteúdos que levam à desinformação.

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Uma das contas suspensas pelo WhatsApp foi a de Flávio Bolsonaro (PSL), senador eleito pelo Rio de Janeiro e filho mais velho do candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL). O parlamentar reclamou da suspensão nessa sexta-feira (19) e alegou que seu telefone "é pessoal e nada tem a ver com uso por empresas". Posteriormente, Flávio disse que sua conta foi desbloqueada, mas ainda cobrou "explicação clara" para o que chamou de "censura".

A medida tomada pelo principal aplicativo de troca de mensagens decorre de reportagem publicada na última quinta-feira (18) pelo jornal Folha de S.Paulo . Segundo apurado, ao menos quatro empresas foram contratadas por grupos empresariais de apoiadores de Jair Bolsonaro para dispararem mensagens automáticas em campanha contra o PT.

Os contratos individuais girariam em torno de R$ 12 milhões, configurando, a princípio, prática ilegal de caixa dois. Em 2015, doações de empresas para campanhas eleitorais foram declaradas ilegais pelo Supremo Tribunal Federal. 

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O fenômeno das notícias falsas vem marcando as eleições deste ano. A missão internacional da Organização dos Estados Americanos (OEA) manifestou preocupação com o fenômeno da desinformação. No balanço da votação do 1º turno, a presidente do TSE , ministra Rosa Weber, também alertou para o problema, em especial sobre vídeos e mensagens colocando em dúvida a lisura do processo eleitoral.

O WhatsApp tem sido o foco de maior preocupação. Um estudo de professores da USP, UFMG e a Agência Lupa realizado em 347 grupos na plataforma encontrou, entre as imagens mais compartilhadas, um índice de apenas 8% de caráter verdadeiro.

Confira abaixo a íntegra da nota do WhatsApp:

O Whatsapp baniu proativamente centenas de milhares de contas durante o período das eleições no Brasil. Temos tecnologia de ponta para detecção de spam que identifica contas com comportamento anormal para que não possam ser usadas para espalhar spam ou desinformação. Também estamos tomando medidas legais imediatas para impedir empresas de enviar mensagens em massa via WhatsApp e já banimos contas associadas a essas empresas.

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