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Consumo de serviços de streaming cresceu de 58% para 71% entre 2014 e 2017 no Brasil, o que diminui a frequência com que o usuário baixa conteúdo

Consumo de audiovisual é realidade para metade da população brasileira, de acordo com pesquisa
Tomaz Silva / Agência Brasil
Consumo de audiovisual é realidade para metade da população brasileira, de acordo com pesquisa

O Comitê Gestor da Internet (CGI) divulgou nesta segunda-feira (5) que metade da população brasileira ouve músicas e assiste a vídeos pela internet. A pesquisa TIC Domicílios Cultura, elaborada pelo CGI como detalhamento do estudo anual TIC Domicílios, lançado em julho deste ano, dá detalhes sobre o consumo de audiovisual no Brasil.

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Os dados expõem os hábitos brasileiros de consumo de audiovisual , mostrando que 29% baixam músicas, 26% publicam textos, fotos ou vídeos de criação própria, 16% fazem download de filmes e 10% baixam séries. Entre 2014 e 2017, o hábito de consumir streaming aumentou de 58% para 71%.

A prática de baixar obras sonoras ou audiovisuais ficou menos popular, caindo de 51% para 42% no caso de músicas e de 29% para 23% em relação a filmes, quedas que têm forte relação com a ascensão citada anteriormente dos serviços de streaming, que têm como principais expoentes no Brasil a Netflix e o Spotify.

“A ampliação do consumo é muito devido às plataformas de streaming. Essa prática, que antes era mais predominante de fazer download e ter arquivo próprio no seu computador, agora as pessoas estão conseguindo mais acessar plataformas que disponibilizam esses conteúdos online”, analisa a coordenadora da pesquisa TIC Cultura, Luciana Lima.

A pesquisa mostra ainda a diferença dos hábitos de quem usa banda larga fixa e aqueles que dependem de conexão 3G e 4G. Ouvem músicas na internet 70% dos que usam internet fixa, número que cai para 59% entre os dependentes de internet móvel.

Há diferença ainda maior entre os que veem vídeos na internet: 72% entre usuários da banda larga fixa e 57%, no móvel. As notícias também sofrem o efeito da internet móvel, sendo que 57% usam internet fixa para lê-las, contra 43% dos que têm internet 3G e 4G.

“Você tem uma questão de renda. Enquanto as classes mais altas têm conexão tanto 3G quanto wi-fi, a população de baixa renda depende exclusivamente do dispositivo móvel. Isso tem impacto no consumo de conteúdos culturais, pois faz com que quem tem conexões fixas de banda larga no seu domicílio consuma mais streaming do que quem tem acessos só no celular”, destaca Alexandre Barbosa, gerente do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (CETIC Br), órgão vinculado ao Comitê Gestor da Internet.

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Frequência e origem do consumo audiovisual

Pesquisa sobre o consumo audiovisual no Brasil indica que o hábito de ouvir música é o que abrange maior número de brasileiros diariamente
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Pesquisa sobre o consumo audiovisual no Brasil indica que o hábito de ouvir música é o que abrange maior número de brasileiros diariamente

A música é o conteúdo consumido com mais regularidade pelo brasileiro, tendo em vista que, de acordo com a pesquisa, 29% da população ouve todo dia, 16% pelo menos uma vez por semana e 3% uma vez por mês. O restante não informou. A música brasileira é ouvida por 48%, e as estrangeiras, 28%.

Entre as séries , o resultado obtido é diferente, mostrando que as produções internacionais são prestigiadas por 21%, contra 13% das brasileiras. Os fãs de séries que assistem o conteúdo diariamente são 11%, além de 10% que assistem ao menos uma vez por semana.

Os filmes nacionais prevalecem sobre os internacionais, de acordo com a pesquisa. Obras nacionais são vistas por 26% e as internacionais, 24%. Do total, 10% pagam para ver filmes ou séries, 5% são clientes de streaming de música e 3% disseram que compram filmes para baixar e assistir em seus computadores ou telefones celulares.

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Para a realização da pesquisa com os dados do consumo de audiovisual no Brasil, o Comitê Gestor da Internet ouviu moradores de 23.592 domicílios, em 350 cidades, entre novembro de 2017 e maio de 2018.

* Com informações de Agência Brasil

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