Criador do Orkut lança petição para reunir interessados em uma nova rede social
Reprodução/Orkut
Criador do Orkut lança petição para reunir interessados em uma nova rede social

O Orkut ainda não voltou, mas seu criador quer saber quantas pessoas gostariam de ter uma rede social diferente das que dominam a internet hoje. Orkut Büyükkökten lançou uma petição internacional para reunir apoiadores de uma nova plataforma, com foco em comunidades, relações humanas e conexões reais. 

A campanha reacende a nostalgia de quem viveu a época dos depoimentos, scraps e comunidades que marcaram a internet brasileira nos anos 2000. Mas há uma diferença importante: a proposta não é anunciar a volta da antiga rede, mas sim mobilizar interessados em um novo projeto. O próprio site oficial esclarece que a petição é uma campanha de pré-lançamento e não representa um compromisso de construir ou lançar o serviço.

Na carta publicada em orkut.com, Büyükkökten questiona os rumos das redes sociais nas últimas duas décadas. Para ele, as plataformas passaram a priorizar o tempo de permanência e o engajamento, deixando as relações entre usuários em segundo plano.

"Num feed, você é plateia; numa comunidade, você é membro", afirma o criador, ao recordar um dos recursos mais conhecidos da antiga plataforma.

Criador critica nas redes atuais

A crítica de Büyükkökten vai além dos algoritmos que organizam o conteúdo exibido aos usuários. Ele também cita a presença de bots, deepfakes e materiais produzidos por inteligência artificial, que, em sua avaliação, tornam mais difícil confiar nas interações online.

A proposta é que a tecnologia ajude as pessoas a encontrar amigos, conhecer gente com interesses em comum e fortalecer comunidades, em vez de disputar continuamente sua atenção. A inteligência artificial também aparece no projeto, mas como uma ferramenta de apoio às conexões humanas.

É uma discussão que toca em um dilema das redes sociais atuais: quanto mais as plataformas tentam personalizar o que cada pessoa vê, mais a experiência pode se concentrar no consumo individual de conteúdo. Comunidades com interesses compartilhados representam outra lógica, baseada na participação e no sentimento de pertencimento.

Ainda assim, defender uma internet mais humana é diferente de conseguir construí-la. O desafio de uma nova rede seria transformar essa proposta em uma experiência que atraia usuários e mantenha comunidades ativas, sem reproduzir os problemas que o próprio fundador aponta nas plataformas atuais.

Como participar da petição do Orkut

A manifestação de interesse está disponível no site oficial, em orkut.com. Para participar, é necessário ter 18 anos ou mais e informar dados como faixa etária, país e e-mail. Nome e telefone são opcionais.

Após o envio, o participante recebe um código e um cartão digital de apoiador, que pode compartilhar com outras pessoas. A página também apresenta um mapa com a distribuição das adesões por país. 

A assinatura, porém, não cria uma conta na futura plataforma, não reserva um nome de usuário e não garante lugar em uma eventual fila de acesso. Também não há data de lançamento, descrição detalhada das funcionalidades ou confirmação de que o serviço será desenvolvido.

Nostalgia explica o interesse, mas não garante sucesso

Lançado em 2004, o Orkut se tornou um fenômeno no Brasil antes de encerrar as atividades em 2014. A plataforma reuniu mais de 300 milhões de usuários no mundo.

Seu legado ajuda a explicar por que a possibilidade de um novo projeto desperta curiosidade. As comunidades permitiam que pessoas com interesses específicos se encontrassem, enquanto scraps e depoimentos davam às relações uma dinâmica própria.


Mas a nostalgia, sozinha, não garante que uma nova rede social conquiste espaço. Para isso, será necessário oferecer motivos concretos para que as pessoas voltem a participar de comunidades, convidem amigos e mantenham relações dentro da plataforma.

Por enquanto, a petição mede o interesse em uma ideia, não a adesão a um produto pronto. O próximo passo depende de Büyükkökten transformar a mobilização em um projeto real — e mostrar como sua visão de uma internet mais humana pode funcionar na prática.

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