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Unsplash/Sara Kurfeß
Twitter muda algoritmo recista

Em setembro, o Twitter se envolveu em uma polêmica das grandes: usuários perceberam que os  algoritmos do serviço podem priorizar a exibição de rostos brancos nas prévias das imagens, mesmo se rostos negros estiverem em posição mais favorável para isso. A companhia prometeu investigar o problema. Nesta semana, veio a decisão: o sistema da rede social vai mudar.

Para quem usa pouco ou não acessa o Twitter , eis uma rápida explicação: imagens publicadas na rede social não aparecem em tamanho original, mas em prévias. É preciso abrir o tweet para a imagem ser exibida na íntegra.

Dependendo das dimensões da foto, o Twitter recorta partes desta para, teoricamente, exibir apenas as informações mais importantes na prévia. É aqui que começa o problema. Alguns usuários perceberam que, se uma única imagem contiver uma sequência de rostos, as faces de pessoas brancas é que serão mostradas nas prévias.

A descoberta rapidamente ganhou repercussão, razão pela qual o Twitter prometeu providências. Na ocasião, Dantley Davis, chefe de design do serviço, explicou que as prévias são feitas por um mecanismo baseado em aprendizagem de máquina que analisa padrões de contraste para definir quais áreas das imagens devem ser recortadas.

Em comunicado liberado nesta semana, o Twitter enfatiza que esse sistema tenta prever para onde as pessoas vão olhar primeiro em uma foto. A companhia afirma que, nos testes para apuração do problema, não encontrou nenhum viés racial no sistema, mas reconheceu que a maneira automática como as fotos são recortadas tem potencial para danos.

"Deveríamos ter feito um trabalho melhor para antecipar essa possibilidade quando estávamos projetando e desenvolvendo esse produto", diz um trecho da nota.

Diante dessa percepção, a companhia prometeu mudanças. Para começar, o Twitter pretende diminuir a dependência de um sistema automático de recortes para permitir que os usuários tenham mais controle sobre como suas imagens serão exibidas nas prévias.

Em uma etapa posterior, o plano é otimizar os sistemas do Twitter para que o tweet com uma imagem exiba exatamente o mesmo conteúdo que o usuário vê enquanto compõe a mensagem. Nesse sentido, a companhia pretende estudar formas de evitar que, em imagens muito longas ou fora do padrão, áreas que fogem do propósito da publicação sejam destacadas nas prévias.

Por fim, o Twitter reconheceu que o preconceito em sistemas de aprendizagem de máquina, ainda que não intencional, é um problema de todo o setor.

"Embora nenhum sistema possa ser completamente livre de preconceitos, continuaremos a minimizar o problema por meio de análises deliberadas e completas, e a compartilhar novidades conforme avançarmos nesse assunto", informa a parte final do comunicado.

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