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Divulgação/Xiaomi
Xiaomi Mi 10T Pro chega ao Brasil nesta quinta-feira

Nesta quinta-feira (12), a Xiaomi trouxe para o Brasil mais dois modelos de smartphones, o Mi 10T e o Mi 10T Pro . Se posicionando no topo de linha, os novos celulares atingem preços nunca antes praticados pela chinesa aqui no Brasil, alcançando os R$ 7 mil.

De acordo com Luciano Barbosa, head do projeto Xiaomi no Brasil, a alta dos preços dos celulares acontece por diversos fatores. Segundo ele, a instabilidade do dólar , a presença do 5G e os recursos cada vez mais sofisticados podem explicar o celular ter saído com o preço tão alto.

Para ele, porém, “caro é aquilo que não atende à sua expectativa” e, por isso, ele acredita nas funções nos novos smartphones da marca, que considera poderosas. Confiante, ele também diz não ter medo da chegada da concorrente Realme ao mercado nacional. “Não impacta em nada nossa operação e não muda em nada nossa estratégia”, afirma.

Luciano Barbosa Xiaomi
Divulgação/Xiaomi
Luciano Barbosa, head do projeto Xiaomi no Brasil

A respeito do 5G , Luciano admite que a compatibilidade impacta no preço dos novos modelos. Quando perguntado sobre o momento certo de investir em um smartphone com a tecnologia, no entanto, ele diz que outros fatores devem ser levados em conta.

Confira a entrevista completa com o líder da Xiaomi no Brasil, Luciano Barbosa

iG Tecnologia - Um dos destaques do lançamento dos Mi 10T e Mi 10T Pro no Brasil foi a compatibilidade com o 5G. Mas a gente sabe que a tecnologia ainda vai levar um tempo para chegar ao país . Como convencer o público de que já está na hora de comprar um smartphone com 5G?

Luciano Barbosa - Ótima pergunta. Na verdade, ele vem preparado para o 5G, porém ele traz diversos outros recursos. Então, na verdade, você está comprando um excepcional aparelho, com diversos recursos e ele, também, já está preparado para uma tecnologia do futuro. Então, o nosso posicionamento é este: a gente coloca que ele está preparado para a nova tecnologia que vai vir. E ainda depende de muitas questões até termos tudo [da rede 5G] corretamente funcionando aqui no Brasil.

Mas o 5G impacta no preço do celular, certo? Podemos traçar essa relação direta?

Tem, tem uma representatividade no custo, sim, por dois sentidos. Primeiro porque a gente colocou um processador mais top de mercado e ele tem o 5G interno, mas também tem outras funções. Então, ele não é um processador específico de 5G. Ele é um excepcional processador mas também faz o 5G.

Só que outras características no produto relacionadas ao 5G refletem no custo, como a quantidade de frequências que ele possui no aparelho, tanto a homologação Anatel quanto quantidade de antenas e tudo o mais. Então todo esse projeto, em si, soma, sim, no custo do produto ou uma parte. Só que no caso do Mi 10T Pro, a gente está colocando um leque imenso, um canivete suíço de diversas funções e, junto, o 5G.

A Xiaomi tem fama de vender celulares com bom custo-benefício. Mas, ultimamente, os smartphones têm ficado mais caros no Brasil - e não só para a Xiaomi. O que tem causado esse aumento, além da alta do dólar?

Bom, além da alta do dólar, tem a questão da instabilidade do dólar. Isso afeta muito não só a Xiaomi como outras empresas, porque se você estabilizar em R$ 6, por exemplo, você consegue trabalhar mais tranquilo. O problema é você trabalhar não sabendo se vai a R$ 5, se vai a R$ 7, como vai ser isso e tudo o mais.

Então, primeiro, não só a alta como a instabilidade e, segundo, respondendo já em nome da Xiaomi mas acredito eu que para outras marcas também, é que os smartphones estão fazendo cada vez mais funções. Então, eu consigo agregar cada vez mais funções inclusive profissionais. Antigamente eu tinha um bom smartphone para tirar uma foto, mas eu não conseguia alcançar a qualidade de uma câmera profissional, já era bem claro isso.

Agora, hoje, falo novamente, não só a Xiaomi mas também outras marcas estão conseguindo entregar recursos de profissionais. Então, pensando em uma câmera profissional de R$ 15 mil, por exemplo, diversos dos seus recursos, não todos, já estão disponíveis, por exemplo, no Mi 10T Pro, então são características que os smartphones estão adquirindo que está levando para este novo patamar de preço.

Assim como aconteceu com os carros de entrada no Brasil também que, em outro momento, outro mercado, foram recebendo mais funções e acabaram saindo daquele patamar de entrada e assumindo outros patamares. Então acredito que sejam esses dois pontos: essa variação do dólar e a questão de ter cada vez mais funcionalidades.

E diante disso tudo, que estratégias a Xiaomi tem realizado para tentar manter o bom custo-benefício?

Nós acreditamos na máxima de que caro é aquilo que não atende à sua expectativa. Se você comprar um aparelho desse por R$ 5,5 mil, você tem uma expectativa muito grande, você está comprando um aparelho em que você está desembolsando uma relativa quantidade de dinheiro em cima disso. Porém, a gente está entregando cada vez mais benefício.

Então como que a gente está elevando essa relação custo-benefício? Trazendo um produto com cada vez mais benefícios. E a Xiaomi, hoje, é a empresa número um em internet das coisas atrelada à inteligência artificial, então isso tem trazido cada vez mais benefícios no uso dos aparelhos, tanto smartphones quanto produtos do ecossistema.

Então, acho que essa entrega de soluções, de benefícios, tem feito a Xiaomi estar em outro patamar e entregar muito benefício. Na verdade, o objetivo da Xiaomi é entregar inovação para todos e fazer uso da tecnologia para facilitar sua vida. Então, basicamente, são esses três pontos resumidos em uma frase: eu entrego inovação, uso tecnologia, mas você mesmo só sente o benefício de ter sua vida facilitada.

Já tem um tempo que a Xiaomi comenta que estuda fabricar dispositivos aqui no Brasil. Como caminha esse estudo?

Isso. Na verdade, esse projeto continua, esse estudo continua. Só que a gente ainda não tem conclusão dele, e não tem previsão, até porque acho que está muito difícil ter qualquer previsão ultimamente. Esse estudo continua, e está sem previsão de conclusão.

Muitos celulares da Xiaomi são lançados no exterior e não chegam ao Brasil. Como é feita essa escolha dos modelos que vêm para cá?

Essa é uma escolha conjunta do estratégico, da operação que eu acabo comandando por aqui, em cima de pesquisas de mercado, desde consumidores finais. Por exemplo, o brasileiro é extremamente apaixonado pela linha Poco. O Poco X3 chegou, acho que se não chegasse, os brasileiros iam fazer a gente trazer de qualquer jeito.

Então, [definimos] pela pesquisa de consumidores finais e muito em reuniões com grandes varejos. Então, basicamente, [a escolha] é estratégica, a gente analisa qual produto tem no portfólio [global] que pode se encaixar aqui com a região, define com consumidores finais e com o varejo. A gente faz essa tríplice gestão, do B2B e do B2C, e define quais modelos.

E recentemente vocês  descontinuaram diversos modelos de celular no Brasil. Podemos esperar novidades por conta disso?

Sim. A gente tem lançado inúmeros aparelhos. Em um ano, acho que foram 20 e poucos aparelhos, então é natural que alguns deles deixem de estar em linha. Como por exemplo, a linha Redmi 7, porque chegou a Redmi 8, agora chegou a Redmi 9. A cada seis meses, no mínimo, vão ter descontinuações de produtos, e entrada de novos produtos.

Então, sim, teremos vários modelos tanto de smartphone quanto de outros produtos também. A gente quer continuar trazendo cada vez mais produtos. Hoje em dia, as pessoas estão procurando muito por novidades, o aparelho não fica tanto tempo em linha mais, não só com a Xiaomi mas com outras marcas também. Então a gente quer continuar a estar sempre na crista da onda, trazendo novidades.

Quais celulares são concorrentes do Mi 10T e Mi 10T Pro no mercado nacional?

Basicamente, ele chega com uma linha de Samsung S20, S20 Ultra, com Motorola, tem o  Motorola de 5G que faz também essa concorrência. Mas eu entendo que o público Xiaomi ele é, primeiro, um apaixonado por Xiaomi e aí depois ele quer a melhor configuração dentro de Xiaomi.

Existe, sim, claro, essa questão: no varejo ele vai estar posicionado ao lado de quem? Então acaba sendo concorrente. Mas a gente enxerga que, primeiro, é um público apaixonado em Xiaomi e, depois, um público bem mais exigente, que quer as funções mais inovadoras.

Então, seu principal público-alvo é a pessoa que já tem um Xiaomi e vai subindo de categoria?

Exatamente, é o público que já conhece a marca e que está buscando cada vez mais aparelhos top de linha. E nós temos também uma presença bem recorrente daquela pessoa que conhece a marca, que é o especialista em tecnologia da família, e que acaba influenciando o grupo ao redor dele. Aí acabam vindo muitos entrantes, mas geralmente são entrantes que vêm através de um marketing quase que boca a boca, sendo bem direto.

Ainda sobre concorrência, a Realme anunciou recentemente sua chegada ao Brasil . Como vocês receberam essa notícia?

Eu enxergo, de maneira particular, que quanto mais marcas tiverem, quem ganha mais é o consumidor final. O pouco de informação que nós recebemos, que é uma ou outra reportagem com muito pouca informação, mas a Xiaomi, hoje, é a marca número um que investe em internet das coisas, tem diversos dispositivos, e a gente enxerga que existe um mercado grande para todo o mundo. Isso aí, para a gente, não impacta em nada nossa operação e não muda em nada nossa estratégia.

Nós já temos uma estratégia muito clara, de trazer cada vez mais produtos que já são conhecidos mundialmente, e o carinho pela marca está crescendo cada vez mais no Brasil. Então a gente está em um momento bem positivo, vou ser bem honesto contigo, momento bem interessante, cada vez mais pessoas dando feedback.

A gente entrou, por exemplo, em Casas Bahia, inicialmente, com mais de 500 lojas, mas indo a até mais de mil lojas. Então, a gente está em um momento bem legal. Acontecem algumas notícias de algumas outras marcas chegando ao país, eu acredito que isso vá acontecer no futuro também com outras marcas, mas para a gente não muda a estratégia, ela continua bem centrada naquilo que a gente trouxe desenhado desde o ano passado mesmo, desde o começo da operação.

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