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Aplicativo de mensagem está fazendo atualizações para combater fake news e aumentar sensação de bem estar digital assim como outras gigantes techs

Nova atualização do WhatsApp vai permitir aos usuários
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Nova atualização do WhatsApp vai permitir aos usuários "marcar mensagens como lidas" de uma só vez, diminuindo sensação de ansiedade

Uma nova atualização do WhatsApp está só em fase de testes, mas já está dando o que falar em vários lugares do mundo. Segundo apurou o site  WABetaInfo, o aplicativo de mensagens está testando uma função que permite aos usuários marcarem várias mensagens como lidas de uma só vez.

Leia também: Agora é possível 'lançar' perguntas para seguidores no Stories do Instagram

A atualização do WhatsApp ainda não tem data para estrear, mas a julgar pelas recentes implementações no aplicativo de mensagens, não deve demorar muito para acontecer. O teste, porém, está sendo feito numa versão para Android o que pode indicar que os usuários desse sistema operacional podem ter acesso à funcionalidade antes dos deamis qe usam, por exemplo, iPhones com iOS, o sistema operacional exclusivo do aparelho da Apple.

Segundo alguns usuários que tiveram acesso ao teste, a função dever ser bem simples. Ao abrir o aplicativo e visualizar os grupos e contatos que enviaram mensagens, que já são hierarquizados por recência, o usuário poderá pressionar e segurar alguns segundos o grupo ou contato do qual deseja marcar mensagens como lidas e a partir daí tornar o aplicativo numa lista de seleção, a exemplo do que já acontece quando você deseja enviar uma mensagem para um ou mais contatos.

Uma vez selecionado todos as pessoas das quais você deseja marcar as mensagens como lidas, basta acessar uma opção no Centro de Notificações do aplicativo, selecionar a opção "Marcar como lido" e confirmar. Pronto. As notificações serão apagadas. Já para os remetentes das mensagens, ainda não está claro se haverá uma diferenciação entre as mensagens que foram realmente visualizadas pelos destinatários e aquelas que foram simplesmente "marcadas como lidas".

Nova era do bem-estar digital

CEO Sundar Pichai conduziu conferência que anunciou uma série de mudanças que devem ocorrer nos principais serviços do Google ao longo do ano. Começando por mudanças no novo Android que incluem a nova era de
Divulgação/Google
CEO Sundar Pichai conduziu conferência que anunciou uma série de mudanças que devem ocorrer nos principais serviços do Google ao longo do ano. Começando por mudanças no novo Android que incluem a nova era de "bem-estar digital"

O que há de certo é que a versão Beta 2.18.2014 é mais uma tentativa do WhatsApp de aderir ao novo conceito de bem-estar digital . Um movimento que já está sendo seguido por outras gigantes do setor de tecnologia.

Tudo começou na conferência anual para desenvolvedores do Google desse ano, a I/O 2018, que foi realizada no começo de maio. Nela, o Google surpreendeu a todos quando anunciou que a próxima versão do seu sistema operacional chamado provisoriamente de Android P vai contar com ferramentas que ajudam os usuários a controlar o tempo que passam online.

O novo sistema operacional, além de permitir ajustes de luminosidade que podem até deixar a tela do celular em preto e branco  (diminuindo a distração na hora de dormir), também vai te ajudar a controlar melhor o tempo que você gasta com cada aplicativo do celular. O sistema vai permitir que você estabeleça um limite de uso, por exemplo, do YouTube ou do Facebook, e te avisar quando esse prazo estiver perto do fim. Assim, os usuários poderão colocar um fim naquela sensação de que queria apenas ver um vídeo e acabou sendo sugado por uma sequência de autoplays infinitos.

A mudança que também inclui desativar 100% das notificações do aparelho e seus aplicativos demonstrou, ao mesmo tempo, que o Google está atento às necessidades dos usuários, mas também surpreendeu pela atitude altruísta de ajudar as pessoas a usarem menos seu dispositivo, ao invés de sequestrar a atenção do usuário pelo máximo de tempo possível. 

Na ocasião, o CEO do Google, Sumar Pichai, demonstrou estar antenado com os novos termos digitais quando mencionou que após a FOMO (sigla em inglês para "medo de estar perdendo algo") agora existe também a JOMO (sigla em inglês para "prazer de estar perdendo algo"). Ele tocou no assunto pouco antes de explicar que o Google quer ajudar as pessoas a passarem mais tempo com a família, com a comunidade local e aproveitando melhor os momentos reais, ao invés dos digitais.

Mais a frente, o vice-presidente do Google para o Android, Dave Burke, deu mais um indício de que a área pela qual é responsável está totalmente alinhada com esse pensamento quando anunciou um novo dashboard que mostra quanto tempo o usuário gastou em cada aplicativo ao longo do dia e da semana. Dessa forma, o Google espera dar recursos para que a pessoa consiga mensurar se está gastando tempo demais com os emails no fim de semana, por exemplo.

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Sendo assim, o Google deu o primeiro passo e já foi seguido por outras empresas antes de também impactar o WhatsApp. Começando pelo Instagram.

Pertencente ao Facebook, a rede social de compartilhamento de fotos confirmou, nem uma semana depois do Google, que também estava trabalhando numa ferramenta que vai mostrar quanto tempo os usuários estão gastando no aplicativo . A novidade foi descoberta, na verdade, pela pesquisadora Jan Manchun Wong que, ao investigar os códigos do aplicativo para Android, encontrou uma nova opção que, segundo ela, deveria se tratar de um painel que mostra quanto tempo o Instagram ficou aberto, além de outras estatísticas de navegação do usuários no aplicativo segmentadas por dia, semana, mês, entre outras coisas.

Após a descoberta, o próprio CEO do Instagram, Kevin Systrom, foi obrigado a postar um tweet no qual confirma que a empresa está mesmo trabalhando nessa nova funcionalidade. Ele ainda afirmou que "é verdade, estamos construindo ferramentas que ajudarão a comunidade a saber mais sobre como eles usam seu tempo no Instagram — todo o tempo deve ser positivo e intencional."


Num segundo tweet, ele ainda completou dizendo que "entender como o tempo online impacta as pessoas é importante e é uma responsabilidade de todas as companhias ser honesta em relação a isso. Queremos ser parte da solução. Eu levo essa responsabilidade muito a sério.”

A novidade veio a calhar para o Instagram que vinha sendo duramente criticado por ser uma das redes sociais que mais "sequestra a atenção" das pessoas sobretudo depois que implementou definitivamente a função stories em que as imagens e vídeos de seus contatos vão se sucededendo de maneira automática quase infinitamente.

Pouco tempo depois foi a vez do próprio Facebook anunciar uma novidade bem parecida . O CEO Mark Zuckerberg já tinha dado declaração no começo do ano, enquanto traçava metas para 2018, no qual anunciava que "estamos sempre trabalhando em novas formas para ajudar a garantir que o tempo das pessoas no Facebook seja um tempo bem gasto".

Essa mesma informação foi reforçada na nota oficial emitida pela empresa ao confirmar que o Facebook está criando uma ferramenta para mostrar quanto tempo cada usuário está passando na rede social. A descoberta foi feita pelo site TechCrunch que divulgou imagens do recurso "Your Time On Facebook".

Essa novidade que promete mostrar quanto tempo o usuário passou no aplicativo nos últimos sete dias e calcular o tempo médio gasto por dia, também permitirá que cada dono de uma conta no Facebook estabeleça "um limite" de tempo diário para passar na rede social e receba um lembrete quando esse limite for ultrapassado.

A iniciativa entitulada "Time Well Spent" (tempo bem gasto, em português) foi criada pelo engenheiro Tristan Harris, um ex-funcionário do Google que é o principal defensor de que as empresas de tecnologia parem de tentar viciar usuários para mantê-los presos o máximo de tempo possível dentro da lógica de economia da atenção e passem a defender o bem-estar digital.

Ele está conectado com um novo momento em que os usuários da internet estão mais conscientes dos impactos negativos que a vida digital pode causar e estão se tornando mais exigentes e críticos em relação às empresas de tecnologia.

Outra atualização do WhatsApp

Usuários do WhatsApp vão conseguir saber se mensagem que estão recebendo é original ou está sendo reencaminhada como parte de uma corrente. Medida que ajudar a combater as fake news
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Usuários do WhatsApp vão conseguir saber se mensagem que estão recebendo é original ou está sendo reencaminhada como parte de uma corrente. Medida que ajudar a combater as fake news

Além de proporcionar uma sensação maior de bem-estar digital para seus usuários, a outra grande preocupação das gigantes de tecnologia é com relação à propagação das fake news dentro de suas plataformas digitais.

Nesse caso, porém, o Facebook foi a primeira gigante a tentar resolver o problema. A empresa confirmou que as fake news são uma preocupação real, sobretudo em época de eleições, ao anunciar que implementará novas medidas de transparência para anúncios exibidos na rede social , sendo a principal delas tornar explícito quando um conteúdo é propaganda eleitoral ou política.

Sobre isso, o Brasil será o primeiro país fora dos Estados Unidos a receber a atualização, mas a novidade chegará em duas fases. Primeiro, entre julho e agosto, com a inscrição dos políticos que desejam concorrer a cargos nas eleições de outubro. Depois, entre agosto e setembro, quando a campanha começa oficialmente e a propaganda eleitoral ou política será marcada na rede social.

A mudança que será chamada de "Categorização de Anúncios Políticos" quer informar os eleitores sobre quais peças publicitárias estão sendo bancadas por qual candidato. Dessa forma, o Facebook espera se isentar um pouco da responsabilidade pelas calúnias, difamações e mentiras que um candidato espalha sobre o outro em corridas eleitorais.

A ferramenta já funciona nos Estados Unidos, mas chegou tarde: durante as eleições presidenciais americanas em 2016, a campanha republicana do atual presidente Donald Trump abusou do recurso ainda pouco regulado para impulsionar anúncios no qual contava mentiras sobre a sua principal adversária, a democrata Hillary Clinton que também utilizou-se dessa artimanha, mas em escala menor e notadamente menos efetiva.

O chefe operacional do Facebook, Sheryl Sandberg, afirmou que esta "é uma ferramenta nova, então ainda estamos vendo mais detalhes e devemos obter mais feedbacks para aperfeiçoar." Ele também admitiu durante divulgação da novidade por videoconferência para jornalistas presentes nas sedes do Facebook em São Paulo, Nova York, Cidade do México e Menlo Park que a rede social vem "aumentando bastante seus esforços para reduzir abusos na rede social desde 2016, anos em que Donald Trump foi eleito presidente dos Estados Unidos."

Acusada também de ter permitido a influência de russos na eleição americana, Sandemberg respondeu em nome do Facebook que prefiria não comentar sobre o assunto já que a investigação segue em andamento, mas reforçou que "estamos procurando mais contas falsas. Fizemos muito isso nas eleições na França, mas os atrasos nas checagens ainda ocorrerão, devido à necessidade da equipe do Facebook de apurar os detalhes das denúncias de abusos e obter cópias dos documentos dos envolvidos".

No dia seguinte, foi a vez do Twitter anunciar que também vai implementar mudanças que tornam mais fácil identificar quando um anúncio ou conteúdo na rede social for propaganda eleitoral, política ou estiver sendo promovido por um candidato.

Nesse caso, porém, ainda restam muitas dúvidas em relação a como a ferramenta vai funcionar, além de, por enquanto, o microblog ter anunciado que a novidade só valerá nos Estados Unidos. A medida de transparência em relação à propaganda eleitoral vai se chamar "Centro de Transparência de Anúncios" e vai permitir que qualquer pessoa visualize quais anúncios foram veiculados na rede social.

A intenção é que esse Centro de Transparência do Twitter inclua todos os anunciantes do site no mundo todo, mas nessa primeira fase apenas as propagandas da campanha eleitoral norte-americana estão inclusas. Uma atualização que incluísse o Brasil no escopo logo, porém, viria a calhar já que as eleições estão marcadas para outubro desse ano.

Facebook e Twitter, porém, terão regras claras definidas pelo TSE, diferente do WhatsApp. Até por isso, o aplicativo de mensagens admitiu que está testando o funcionamento de um dos recursos mais pedidos pelos usuários do aplicativo . Numa versão Beta que já está sendo utilizada por alguns poucos usuários em todo o mundo, é possível saber quem foi o criador da mensagem que o usuário está recebendo.

Segundo apuração do El País , a nova versão do WhatsApp não alerta imediatamente o remetente se a sua mensagem foi encaminhada e para quem como a maioria dos usuários esperava, mas notifica o destinatário que a mensagem recebida não é original; e foi enviada para o remetente antes de ser reencaminhada.

Dessa forma, os usuários conseguirão identificar as cadeias de mensagens, basicamente vendo se a informação recebida é original e, se não, de onde ela veio. Com essa iniciativa, o aplicativo espera combater a disseminação das fake news, considerando que muitas pessoas estão usando a criptografia do WhatsApp para desinformar as pessoas que, enganadas, repassam a informação adiante.

Um dos maiores problemas é justamente que, por dificilmente receber esse tipo de "notícia" da fonte original, muitos usuários acabam associando a credibilidade da informação à confiança que depositam na pessoa que encaminhou a mensagem para ela e desconsideram a possibilidade dessa pessoa ter sido enganada antes e reencaminhado uma informação falsa para ela.

O problema, no entanto, é que o novo recurso já conta com uma forma de ser burlado antes mesmo de ser lançado. Isso porque se o texto original enviado for copiado, colado e encaminhado para terceiros novamente por qualquer um dos intermediários da cadeira de disseminação, o sistema do WhatsApp não conseguirá mais reconhecer o lastro e passará a estabelecer o remetente como fonte original da mensagem e não exibirá nenhuma notificação.

Por enquanto, também, a atualização será apenas para dispositivos Android e representa uma das quatro funcionalidades que deverão ser integradas à plataforma ainda esse ano, mas ainda não há uma data para o seu lançamento oficial.

Uma nova atualização do WhatsApp que inclua uma notificação direta ao remetente original, possibilitando que o "sucesso" do alcance de uma mensagem seja medido, ainda não foi totalmente descartada.

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