Facebook planeja redução de publicações políticas
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Facebook planeja redução de publicações políticas

O Facebook está planejando reduzir as publicações sobre política do feed de notícias, disse Nick Clegg, vice-presidente para assuntos globais e comunicações da empresa. A medida está sendo tomada após a suspensão das medidas excepcionais de segurança, implementadas no ano passado nos Estados Unidos por conta das eleições presidenciais locais.

Em entrevista à NBC News neste domingo (10), Clegg, que também já foi vice-primeiro-ministro do Reino Unido, disse que os usuários do Facebook expressaram o desejo por um feed com "mais amigos e menos política".

A declaração de Clegg veio logo após uma  semana conturbada para a empresa. Na quarta-feira (6), a delatora e ex-funcionária do Facebook  Frances Haugen depôs no Senado dos EUA, acusando a rede social de priorizar o lucro em detrimento do bem-estar digital de seus usuários. Haugen afirma que desinformação e discurso de ódio são propositalmente priorizados pelo Facebook.

"Uma das coisas que ouvimos dos usuários dos Estados Unidos e de todo o mundo desde a eleição é que as pessoas querem ver mais amigos, menos política", disse Clegg durante a entrevista. "Portanto, temos testado maneiras de reduzir a presença de política nas experiências das pessoas no Facebook".

Eleições e pandemia

Durante 2020, o Facebook colocou uma série de medidas excepcionais em seu algoritmo nos EUA para que os feeds de notícias dos usuários não interferissem em questões políticas e de saúde.

Depois das eleições, porém, a rede social parece ter voltado ao normal. Clegg nega que isso tenha ocorrido. "Simplesmente não é verdade dizer que suspendemos essas medidas imediatamente - na verdade, mantivemos a vasta maioria até a posse. E mantivemos algumas no lugar permanentemente - portanto, permanentemente não recomendamos grupos cívicos e políticos às pessoas", declarou.

"Mas vale a pena lembrar que essas medidas são como fechar todas as rodovias em uma cidade por causa de um problema único e temporário em um bairro - você não faz isso de forma permanente", continou.

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Um dos exemplos usados por ele foi o dos vídeos virais. Durante o período eleitoral, o potencial de viralização de vídeos foi reduzido, mas Clegg diz que isso também pode afetar conteúdos "perfeitamente inocentes". As medidas eram "ferramentas muito contundentes que coletavam muito conteúdo totalmente inocente, legítimo, divertido e agradável - e fizemos isso de forma excepcional", disse ele.

Facebook promove desinformação

Em seu depoimento ao Senado, Haugen apresentou provas de que o Facebook promove a desinformação e o discurso de ódio. Na prática, esse tipo de conteúdo gera mais engajamento, resultando em mais usuários conectados, mais publicidade e, portanto, mais lucro para a rede social.

Na entrevista, Clegg insistiu que o Facebook se empenha em reprimir esse tipo de conteúdo. "Nos últimos anos, pressionamos muito agressivamente o discurso de ódio - empregamos 40.000 pessoas agora para fazer este trabalho", disse ele. Segundo ele, apenas 0,05% do conteúdo do Facebook é de incitação ao ódio.

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